Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
"Carta Dois " - Leitura de 08/11/2009
THE WEB OF SILENCE (Londres: DLT, 1996), pgs. 18-19.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Há muitos anos os físicos procuram uma teoria de campo unificadora que venha a exprimir as leis básicas que unificam as forças da natureza. [Descobertas recentes] nos aproximam dessa meta. Ao mesmo tempo, isso nos faz lembrar dos diferentes níveis de consciência em que se dá a visão científica e a espiritual.

Os "limites do universo" talvez tenham sido fotografados, e talvez sejamos capazes de medir quando se deu o começo do tempo - e isto é empolgante e importante -, mas a exploração espiritual que fazemos da realidade, que une as manifestações interiores e exteriores de Deus, vislumbra um horizonte, mais do que limites. O horizonte é real e perceptível, porém sempre se afasta. É o ponto de partida, e também o de chegada. A jornada da meditação é uma jornada de volta para casa, o processo do despertar para o ponto onde estamos, onde sempre estivemos, e ao qual pertencemos independentemente do tempo. A peregrinação da meditação revela, através da experiência, mais do que através da teoria, que cada um de nós é uma parte intrínseca do campo unificado de Deus.

O encontro de ciência e religião, em nosso tempo, está saneando uma das maiores divisões da mente moderna. De fato, hoje, muitas vezes é o físico dedicado que mostra mais reverência, humildade e alegre deslumbramento em sua contemplação da realidade, do que o estressado e cético administrador de uma religião organizada. Por outro lado, as grandes tradições das escrituras lembram aos cientistas que o universo não pode ser estudado de maneira realista, sem que se leve em conta o mistério da consciência humana. Eles sabem que todo o universo está incorporado no ser humano e que corpo, mente e espírito não são formas separadas de energia. São Gregório Palamas escreveu que o ser humano é "a concentração de tudo o que é, a recapitulação de todas as coisas criadas por Deus".

Essas profundas mudanças em nossa cultura e mentalidade religiosa podem vir a ser de grande ajuda para o meditante comum. Uma sensação de tolice, de fracasso ou desalento, por exemplo, muitas vezes ameaça o compromisso com a meditação diária. Isto pode ser vencido pela nova sensação de deslumbramento que hoje desperta entre nós, que é uma tão grande fonte de esperança para o nosso planeta, e também de cura para a nossa psique. Podemos ser lembrados de que tolice, é não dar tempo, nem espaço, para ver o que está além do tempo e do espaço. Tolice, é quase termos perdido o dom de prestar atenção pura, sem que se conte o custo, nem se calcule o retorno. Nada é mais tolo do que deixarmos a tola obsessão do ego para com o sucesso e o fracasso, dissuadir-nos de encontrar o nosso verdadeiro eu, em união com Deus. "O tolo o disse em seu coração, não há Deus acima", cantou o poeta hebreu milhares de anos atrás. A maravilha mais profunda e insondável da criação, não está no que pode ser medido, mas naquilo que pode ser ouvido, ao mesmo tempo, na esfera mais interior e mais exterior: o silêncio de Deus.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã