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"Semana Santa" - Leitura de 09/04/2012
Reflexões de Dom Laurence Freeman OSB para a Semana Santa de 2008

Escrevo a partir de nosso retiro para jovens meditantes na Ilha de Bere, à medida que a Semana Santa se desenvolve.  Neste momento não há uma única nuvem nos céus e a luz brilhante convoca todas as cores ocultas, as sombras e a textura do mar, das árvores e das montanhas.  A natureza facilita nossa crença de estarmos em uma jornada em direção à luz de Cristo, o Sol da Ressurreição que jamais se põe.  A previsão do tempo nos alerta de possíveis rajadas frias e chuvas (isto é a Irlanda) da mesma maneira que sabemos que nossas vidas não podem estar livres do sofrimento.


Durante o retiro conversamos sobre as tensões que precisamos enfrentar em nossa vida diária.  Como manter um equilíbrio entre os compromissos familiares, e a meditação ou os períodos de retiro?  Como lidar com os desafios da fé que a Igreja, nas suas formas culturalmente condicionadas, pode nos apresentar, e ainda permanecer em seu seio?  Como fazer a leitura das revelações essenciais da doutrina cristã à luz da experiência e da linguagem moderna?  Um período sagrado, como esse que passamos nesta semana, nos proporciona a margem de manobra para essas tensões, o espaço interior necessário à aceitação daquilo que parece inaceitável, trazendo equilíbrio àquilo que parece insuportável.


Ao longo dos próximos dias sentimos ter a energia e a sensibilidade que nos permitem responder a todo esse conjunto de aspectos da vida humana que a Páscoa ilustra.  Amanhã, com nossa presença na Ceia do Senhor, experimentamos a alegria e as tensões de viver em comunidade, lavando os pés uns dos outros, aprendendo o significado do relacionamento fiel.  Seria preferível optarmos pela segurança sem crescimento do moderno indivíduo atomizado?  Na sexta-feira enfrentamos a mais profunda repressão de nossa psique, o fato e o medo da mortalidade, o terror do abandono e da perda absoluta.  Aprendemos que, ao enfrentá-la, podemos tocar um significado que nos abre uma porta através da qual podemos passar, mas que ainda é uma passagem para o desconhecido.  No sábado, descansamos com esse significado em nosso horizonte, equilibrados entre a perda e o encontro.  Estamos na incerteza, até mesmo na falta de convicção, todavia não nos fechamos à possibilidade: a possibilidade que surge cedo pela manhã, a partir do vazio da tumba para a caudalosa realidade da nova vida.


Mantenhamo-nos na comunhão de nossa meditação durante esses dias sagrados, sentindo a presença da comunidade, mesmo à distância física, e através dos diferentes fusos horários, que nos separam, mas não podem nos dividir.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã