Laurence Freeman, OSB - WCCM
"O Labirinto" - Leitura de 09/05/2010
De Laurence Freeman OSB, JESUS O Mestre Interior (São Paulo:Martins Fontes, 2004), pgs. 304-305.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Estaríamos preparados para praticar o desapego com aquilo que, instintivamente, sabemos ser nossa posse mais preciosa: nossa distinta identidade? Neste ponto, é de suprema importância o relacionamento com [Jesus] o mestre. Ele nos permite arriscar nossa própria morte. Até aqui, a disciplina do mantra conduziu ao sentimento fortalecedor do discipulado, que nos capacita a nos abandonarmos. Podemos deixar para trás nosso ser, precisamente porque estamos em união e, nunca estamos sós. As palavras de Jesus tornam-se verdadeiras em nossa própria experiência:

“Igualmente, portanto, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.”(Lc 14, 33)

Se é para abraçarmos a eternidade da plenitude de ser (o "Eu Sou" de Deus) precisamos primeiro encarar a dura realidade da impermanência e da vacuidade. A tentação sempre é a de reduzir a intensidade, de mergulhar num menor grau de consciência, até mesmo dormir. O Buda alertou contra o anuviar da mente, neste ou em qualquer outro estágio da jornada, com tóxicos ou sedativos, estimulantes ou calmantes. Jesus exortou a todos para ficarem plenamente conscientes:

Estai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o tempo... Vigiai pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa chegará, se de tarde ou à meia noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que vindo de repente, não vos encontre dormindo. O que digo a vós, o digo a todos: vigiai! (Mc 13, 33-37)

Na carta aos Efésios, Paulo diz que este estado de vigília conduz aos "poderes espirituais da sabedoria e da visão" até à gnose do conhecimento espiritual. Todavia, mesmo com a mais forte fé, o doloroso sentido da separação não é imediatamente dissipado, mesmo quando a sabedoria começa a brilhar. A parede do ego pode parecer um obstáculo intransponível, um beco sem saída, que nos deixa sem ter para onde correr. Mas, tal como somos lembrados pela Ressurreição, o que parece o fim, não o é. Ao encarar nosso egoísmo entrincheirado e, ao reconhecer sua morte vagarosa, a meditação nos ajuda a verificar nossa própria ressurreição em nossa própria experiência.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra. Mesmo que você esteja distante fisicamente de outros meditantes, você está unido à eles no Espírito. Reserve meia hora toda manhã e toda tarde para os seus períodos de meditação. É uma boa idéia meditar no mesmo local tranqüilo e horário, se possível. Dessa forma seus períodos de meditação se tornam uma parte muito natural do seu dia. Seja generoso com seu tempo, seja fiel ao mantra, e compartilhe esta união silenciosa que nos une a todos, em Espírito.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã