Leitura da Semana :: WCCM
 

"Anniversary of John Main" - Leitura de 09/12/2012
Laurence Freeman OSB – WCCM International Newsletter, 30 de Dezembro, Inverno de 1996.

 

Um dos dilemas do Cristianismo tradicional que mais nos deixa perplexos hoje, talvez seja o significado da transmissão do evangelho de maneira não competitiva no contexto dos relacionamentos com outras religiões... Para o cristão exclusivista, isso não tem sentido algum.

No entanto, isso é o que acontece por toda parte o tempo todo. E, talvez... o Espírito esteja tentando nos ensinar algo. Talvez, o Cristianismo esteja aprendendo que, caso seja verdadeiramente universal, deve se encontrar e se reconhecer em todas as formas da experiência espiritual humana, e em todos os tipos de eventos espirituais.[...]

Estamos hoje alcançando uma nova era de diálogo religioso, de tolerância, de reverência mútua, e de aprendizado mútuo, que aqueles que nos precederam jamais poderiam ter imaginado. Contudo, o acerto disso para os cristãos pode ser atestado pelo fato de ser tão compatível com a personalidade e o exemplo de Jesus. Ele não rejeitava ninguém, tolerava todos, e enxergava o mistério de Deus em todas as pessoas e na natureza. Ele fazia sua refeição com aqueles que deveria ter desprezado; ele falava com aqueles que deveria ter evitado. Ele se abria para os outros tanto quanto se abria para Deus. [...]

Em Jesus, se dá uma intersecção entre o tempo e a eternidade, o Verbo se torna palavras humanas. Porém, a intersecção acontece na pobreza de espírito humana. Pobreza é o ponto em que "o mistério infinito se encontra com a existência concreta". Pobreza não é apenas a ausência de coisas por meio da consciência de nossa necessidade por outros, por Deus. A carência humana é universal. Os ricos, e os mais poderosos, assim como os mais pobres e mais marginalizados, estão igualmente carentes.

A carência é simplesmente a forte emoção que surge como resposta ao fato da interdependência. Não estamos separados uns dos outros ou de Deus. A sabedoria é o reconhecimento de nossa interconexão. A compaixão é a prática de nossa conectividade. Na meditação mergulhamos num nível de realidade que é mais profundo do que aquele de nossas mentes superficiais, que são movidas pelo ego, e que tão frequentemente se enredam na ilusão de nossa independência e isolamento. O trabalho diário da meditação é o de nos desvencilharmos dessa rede, e também representa o novo padrão da prática da presença de Deus em nossa vida cotidiana, que a meditação diária cria.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã