John Main OSB - WCCM
"Entendendo a Fé " " - Leitura de 10/10/2011
Laurence Freeman, FIRST SIGHT: The Experience of Faith (London: Continuum, 2011) pg.9-10).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Em lugar de dedos que apontam para a lua, a doutrina ou o dogma viram-se para trás apontando para si mesmos.  Tudo aquilo que questiona a crença, é então percebido como ameaçador, e aquilo que ameaça pode exalar um tipo de estranheza ou ameaça que incita o medo. 

“Eu sou aquilo que eu acredito” é um princípio tão perigoso quanto “existo porque eu penso”.   Então, aquilo que quero, ou tento, acreditar constitui minha identidade, meu eu, e assim, porque acredito nessas doutrinas, eu sou um cristão.  Outras pessoas que não acreditam nessas declarações específicas são “não-crentes”.  A crença na verdade, pode ser forte e verdadeira.  Podemos ser leais a nossas convicções, e morrer defendendo o sistema do qual elas fazem parte.  Todavia, esse tipo de convicção, aquela pela qual poderíamos morrer, deveria surgir a partir da experiência da fé, e não do medo de uma identidade ameaçada e insegura.  Por que morrer, ou atacar outras pessoas, apenas com respeito a fórmulas verbais?  Enquanto pensamos na fé como sendo constituída por convicção, falta-nos a dimensão completa da mente de Cristo. 

Esta é a mente “católica” que, intrinsecamente, busca incluir e integrar, em lugar de excluir e condenar, sempre que se encontra com diferentes expressões de crenças que trazem à tona a incerteza natural em nosso próprio sistema.  Percebemos que existem crenças em diferentes caminhos, e que outras pessoas sustentam as suas, tão sinceramente quanto sustentamos as nossas.  Sem a fé, isso nos fará sentir dolorosamente ameaçados.  Quando reagimos a partir de nossa própria insegurança, nós cristãos frequentemente descrevemos os devotos seguidores de outras religiões como não-crentes, apenas porque eles possuem diferentes crenças.

As diferenças, assim como os opostos, em última análise, resolvem-se apenas em Deus, que é infinitamente simples, o suficiente para contê-las todas.  Apenas em Deus podemos encontrar os outros, e é no nível da fé, e não no da crença, que esse encontro ocorre.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se.  Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração.  Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar.  Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã