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“Espírito" - Leitura de 13/03/2012
Laurence Freeman OSB, JESUS O MESTRE INTERIOR (São Paulo – Martins Fontes, 2000).

A alegria que vem com a realização da verdade é a bem aventurança do Espírito.  Ela cancela a vergonha de todos os fracassos do passado.   Conscientes de que este Espírito da verdade está conosco como um amigo, estamos em melhor posição para tolerar nos outros, e em nós mesmos, aquilo que ainda não alcançou a plenitude do ser...  A verdade é tolerante porque o Espírito é amor que perdoa.  Ele permite que a inverdade sobreviva no presente, assim como um pai ou uma mãe que ama, permite que o filho erre.  A verdade abraça, em vez de excomungar seus inimigos.  Ela se torna manifesta depois de muito destilar a experiência.  Não se trata de um objeto, ou de uma resposta, que devamos encarar e preservar.  [E], sempre que não haja nenhum ego, através do qual a verdade precise passar, a comunicação se expande para se tornar comunhão.


O Espírito é a ausência de egoísmo, a vacuidade ilimitada, de Deus.  Ele portanto, preenche todas as coisas com sua vacuidade e, contém “toda a verdade”.  Apenas a vacuidade pode conter todas as coisas.  Jesus, portanto, retornando a nós no Espírito da verdade, como amigo e mestre, pode tanto ser Deus, quanto homem, histórico, e cósmico, pessoal, e universal.  Ele é onda, e é partícula, plenamente individualizado, capaz de ser sua personalidade única e individual, e de ser indivisível de todas as coisas.  Isso torna a sua morte, assim como todas as mortes, significativa e necessária.
No evangelho de São João a Ressureição e o envio do Espírito são vistos como um único evento.  Na tarde do dia da Páscoa, Jesus veio e, se colocou em meio a seus discípulos, que, temerosos, haviam se reunido em uma sala trancada.   A primeira palavra que lhes dirigiu foi Shalom.  A rica palavra hebraica para paz, invocava as bençãos da harmonia de todas as ordens do ser.  Shalom flui diretamente a partir da divina harmonia, que é o Espírito.  Recebê-lo é compartilhar essa paz que está além de toda compreensão.  Jesus então, assoprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”. 

Seu sopro, que levou suas palavras até as mentes e corações de seus ouvintes, é um meio utilizado pelo Espírito.  Então, Ele lhes deu o poder de perdoar os pecados.  Este poder de perdoar . . . é um carisma do Espírito, pois o perdão remove o maior dos obstáculos à comunicação.  Cura feridas, confessa a verdade que nos liberta, consola a dor, acalma a raiva, dissolve o ressentimento, consegue a reconciliação dos inimigos.  Quem quer que conheça a verdade, possui o poder de perdoar. . . Através de seu efeito sobre nós mesmos, aprendemos o que é o Espírito:  um amigo que não possui favoritos, que libera o poder de amar, de perdoar incessantemente.  Ele está além da observação, mas, o reconhecemos pelas pegadas de sua passagem silenciosa, curativa e consoladora, por nossas vidas.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã