Dom John Main, OSB - WCCM
"Semana Santa 2010" - Leitura de 11/04/2010
Reflexões de Dom Laurence Freeman OSB para a Semana Santa de 2008
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Escrevo a partir de nosso retiro para jovens meditantes na Ilha de Bere, à medida que a Semana Santa se desenvolve. Neste momento não há uma única nuvem nos céus e a luz brilhante convoca todas as cores ocultas, as sombras e a textura do mar, das árvores e das montanhas. A natureza facilita nossa crença de estarmos em uma jornada em direção à luz de Cristo, o Sol da Ressurreição que jamais se põe. A previsão do tempo nos alerta de possíveis rajadas frias e chuvas (isto é a Irlanda) da mesma maneira que sabemos que nossas vidas não podem estar livres do sofrimento.

Durante o retiro conversamos sobre as tensões que precisamos enfrentar em nossa vida diária. Como manter um equilíbrio entre os compromissos familiares, e a meditação ou os períodos de retiro? Como lidar com os desafios da fé que a Igreja, nas suas formas culturalmente condicionadas, pode nos apresentar, e ainda permanecer em seu seio? Como fazer a leitura das revelações essenciais da doutrina cristã à luz da experiência e da linguagem moderna? Um período sagrado, como esse que passamos nesta semana, nos proporciona a margem de manobra para essas tensões, o espaço interior necessário à aceitação daquilo que parece inaceitável, trazendo equilíbrio àquilo que parece insuportável.

Ao longo dos próximos dias sentimos ter a energia e a sensibilidade que nos permitem responder a todo esse conjunto de aspectos da vida humana que a Páscoa ilustra. Amanhã, com nossa presença na Ceia do Senhor, experimentamos a alegria e as tensões de viver em comunidade, lavando os pés uns dos outros, aprendendo o significado do relacionamento fiel. Seria preferível optarmos pela segurança sem crescimento do moderno indivíduo atomizado? Na sexta-feira enfrentamos a mais profunda repressão de nossa psique, o fato e o medo da mortalidade, o terror do abandono e da perda absoluta. Aprendemos que, ao enfrentá-la, podemos tocar um significado que nos abre uma porta através da qual podemos passar, mas que ainda é uma passagem para o desconhecido. No sábado, descansamos com esse significado em nosso horizonte, equilibrados entre a perda e o encontro. Estamos na incerteza, até mesmo na falta de convicção, todavia não nos fechamos à possibilidade: a possibilidade que surge cedo pela manhã, a partir do vazio da tumba para a caudalosa realidade da nova vida.

Mantenhamo-nos na comunhão de nossa meditação durante esses dias sagrados, sentindo a presença da comunidade, mesmo à distância física, e através dos diferentes fusos horários, que nos separam, mas não podem nos dividir.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra. Mesmo que você esteja distante fisicamente de outros meditantes, você está unido à eles no Espírito. Reserve meia hora toda manhã e toda tarde para os seus períodos de meditação. É uma boa idéia meditar no mesmo local tranqüilo e horário, se possível. Dessa forma seus períodos de meditação se tornam uma parte muito natural do seu dia. Seja generoso com seu tempo, seja fiel ao mantra, e compartilhe esta união silenciosa que nos une a todos, em Espírito.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã