Dom John Main, OSB - WCCM
"Carta Onze" - Leitura de 11/05/2008
Web Of Silence (London: Darton, Longman, Todd, 1996) pgs. 116-118.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

De tempos em tempos, pela graça, pela fé e, pela simplicidade do mantra, podemos ser conduzidos a uma equanimidade e paz profundas. Nossa existência consciente se torna harmoniosa, reflexo da calma e alegria da vida elevada do Cristo nas profundezas de nosso ser. Corpo, mente e espírito estão casados na paz, como um casal que, após muita discussão, volta à sua básica relação de amor e bondade. No que tange à mente, cessam repentinamente seus intermináveis monólogos interiores e ansiedades auto-dramatizadas, maravilhosamente acalmada. Torna-se silente, admirada de sua própria capacidade de permanecer imóvel (talvez inconsciente do fato de que, por pensar, não está ainda completamente imóvel) e, de sua capacidade de se desapegar de seus desejos e temores compulsivos. [...]

Há, então, momentos, talvez momentos passageiros, em que somos inteiramente conduzidos para fora de nós mesmos. Não estamos adormecidos. Mas, também não estamos acordados, não na acepção mais comum deste termo. Na verdade, em comparação com esta, nossa sensação usual de estarmos acordados, mais parece um sonho. A clareza de consciência que experimentamos deve-se ao desaparecimento daquele eu, que deseja desfrutar.

“Não mais vivo, porém, o Cristo vive em mim.” São Paulo, que faz esta descrição desse estado transpessoal, que transcende o ego, é Budista, ou panteísta? Quem era o eu que não mais vivia? Em quem é que, só o Cristo, a perfeita imagem do Deus invisível, vive? Estas são perguntas importantes, intermináveis. Porém, sua importância só acontece, após o evento. Na duração do simples estado de união, estas perguntas, assim como todos os pensamentos, desaparecem na pura presença “Daquele que verdadeiramente é”. Voltamos à realidade comum e lembramos do último pensamento que tivemos antes do acontecimento da experiência, nossa sede, nosso saque a descoberto no banco, os problemas de nossos filhos. Logo, estamos assoberbados por nossos mundos mentais familiares. Deus se torna um objetivo que estamos tentando atingir, ou entender, ou uma lembrança da qual temos saudade, em vez do Eu Sou de amor que inunda nosso mais profundo ser.

Os primeiros monges cristãos entenderam bem esses estados passageiros da vida espiritual. Cassiano escreveu sobre o “sono letal” da prece, em que a mente desfruta calmaria e tédio. È um tipo de sono semelhante ao dos apóstolos no Getsêmani. Cassiano também descreveu a “paz perniciosa”, uma frase forte para se referir à redoma emocional e mental, a que buscamos nos apegar, tão logo nos conscientizamos dela. Nenhum desses estados, de êxtase, sono ou consolação, é o objetivo da oração. Por mais atraentes que possam ser, ou penosa sua perda, há outro objetivo. Uma condição de completa simplicidade que demanda não menos do que tudo, como colocado por Santa Juliana de Norwich. Pobreza de espírito, pureza de coração. O estado combinado das Beatitudes. Vida em Cristo... [É] o estado em que a mente se funde ao coração, não apenas por uns poucos momentos atemporais, mas, permanentemente e sem oscilação. Como uma vela que queima num espaço sem correntes de ar. Como o homem que construiu sua casa sobre a rocha do verdadeiro Ser, em vez de construí-la sobre as areias do ego.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã