Dom John Main, OSB - WCCM
"Reflexões da Semana Santa" - Leitura de 12/04/2009
Semana Santa de 2009
Tradução de Roldano Giuntoli
 

À medida que a Semana Santa se desdobra, escrevo de nosso retiro na Ilha de Bere.  Neste momento não há uma única nuvem no céu, e a luz clara evidencia todas as cores ocultas, sombras e a textura do mar, das árvores e das montanhas.  A natureza faz com que nos seja fácil acreditar estarmos trilhando a jornada humana em direção à luz de Cristo, o sol da Ressurreição que nunca se põe.  A previsão do tempo, todavia, nos informa de rajadas de vento e chuvas (estamos na Irlanda), tal qual, sabemos que nossas vidas não podem ser livres de sofrimento.

Em nossas conversas durante o retiro, encaramos as tensões que precisamos manter em nossa vida do dia-a-dia.  Como equilibrar os compromissos familiares, com a meditação, e com os períodos de retiro?  Como lidar com os desafios à fé, que a Igreja, em suas formas condicionadas, pode nos apresentar, e ainda permanecermos nela? Como entender as revelações essenciais da doutrina cristã, à luz da linguagem e da experiência modernas?  Um período sagrado, tal como esse que adentramos nesta semana, nos dá uma folga para essas tensões, nos confere o espaço interior necessário à aceitação daquilo que parece inaceitável, e equilibra aquilo que parece insustentável.

Durante esses poucos dias, somos capacitados e sensibilizados para reagir a todo aquele espectro de ser humano, que a Páscoa ilustra.  Com nossa presença à Ceia do Senhor, na Quinta-Feira, experienciamos as alegrias e as tensões de estarmos em comunidade, lavando-nos os pés, uns aos outros, aprendendo o significado do relacionamento fiel.  Preferimos optar pela segurança do não-crescimento do moderno indivíduo pulverizado?  Na Sexta-Feira, encaramos a mais profunda repressão de nossa psique, o fato e o medo da mortalidade, o terror da perda absoluta e do abandono.  Aprendemos que ao encará-la, podemos tocar um sentido que nos abre uma porta, que deveremos passar, mas, que ainda é uma passagem para o desconhecido.  No Sábado, repousamos no horizonte daquele significado, equilibrados entre a perda e o encontro.  Não temos certeza, nem mesmo convicção, mesmo assim, não nos fechamos à possibilidade: a possibilidade que surge do nada, cedo pela manhã, da tumba para a realidade avassaladora da nova vida.

Permaneçamos na comunhão de nossa meditação, nesses dias santos, e sintamos a presença da comunidade, mesmo através da distância física e dos diferentes fusos horários, que nos separam, mas, não nos dividem.


Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã