John Main OSB - WCCM
"Caríssimos Amigos" - Leitura de 12/06/2011
Dom Laurence Freeman OSB: Christian Mediation Newsletter, Vol. 35, No. 1, Abril, 2011.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Atualmente, o ritmo, a incerteza e a enorme interconectividade das metas globais: desde os alimentos, solo e água, até a biodiversidade e os sistemas financeiros; nos confrontam com a necessidade daquilo que Simone Weil chamava de "uma nova santidade", tão necessária ao mundo de hoje, quanto "uma cidade atingida por uma praga necessita de médicos".

Ela acreditava que "isso é quase equivalente a uma nova revelação do universo e do destino humano. Trata-se da exposição de uma grande parte da verdade e da beleza que até aqui estava escondida por debaixo de uma grossa camada de poeira".

A utilização que ela fez da palavra santidade, poderia hoje desmotivar muitas pessoas. No entanto, isso mostra como palavras antigas e familiares de nosso vocabulário religioso, cobertas por poeira durante longo tempo, podem ser reabilitadas, recarregadas com seu potencial original, para romper os blocos de gelo de nossas mentes, e abrir novos modos de percepção. Sua "nova santidade" é a integração de um discernimento explícito das políticas e das ações: a universalidade e a inclusão do mundo e de todos os seus habitantes. É nova, e no entanto, tem estado à nossa volta por longo tempo, tentando ser trazida completamente à luz.: "Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus". (Gl 3:28)

Esse discernimento característicamente paulino, mistura o social e o místico na mesma panela. Assim como o próprio Jesus, isso mina todas as estruturas de poder por meio das quais as distinções entre as pessoas se elevam a um nível absoluto: os sistemas de castas, de classes, religiosos, economicos ou culturais em que vivemos localmente. Isso confronta os ambientes seguros do local, com os vislumbres perturbadores do global, onde os horizontes desmoronam para dentro. À medida que caem, emerge o universal: cada vez mais como um modo de percepção, em vez de um objeto da percepção.[. . .]
Encontrar o Cristo ressuscitado, cósmico, é estar "em Cristo". Tal como se torna claro nas histórias da ressurreição, ele não pode ser compreendido como um objeto, ou ser meramente observado. Tão logo tentemos fazer isso, ele desaparece. Ele precisa ser visto, e só podemos vê-lo a partir daquele nível de consciência que a frase "em Cristo" tenta descrever. É mais fácil descrever os efeitos dessa experiência, do que como ela acontece. Assim, Paulo, que conhecia a experiência em primeira mão e foi, segundo seu próprio relato, transformado por ela, nos conta que: "Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez realidade nova". (2Cor 5:17)

A ressurreição nos envia de volta a este mundo de um modo novo, com renovada visão e compreensão. A nova criatura é um modo de viver no mundo, livre das compulsões antigas, da violência viciante como um meio de resolver conflitos, e dos padrões repetitivos de opressão e exploração, que culminaram na crise atual.

O desafio para o cristão contemporâneo é o de que a identificação de nossa crise com o mistério cristão não significa que resolvemos o problema batizando todas as pessoas.[...] O significado da missão mudou para o cristão contemporâneo, por causa das maneiras como o mundo mudou, e da direção que ele está tomando. Quem quer que assuma seu papel na solução de uma crise, emerge dela modificado. A identidade cristã também evolui, de fato, ela se enriquece e se eleva, quando arriscamos a nossa fé em um verdadeiro encontro com os problemas do mundo. Posicionar-se acima das disputas, julgando a partir de uma posição de superioridade, equivale a chegar a uma mentalidade encastelada, um fundamentalismo e exclusivismo que, afinal, destroem a fé, porque erodem a compaixão. Acreditar em uma nova criatura, em vez de uma outra criatura, no entanto, significa que podemos ajudar a orientar a crise coletiva em direção à esperança e à mudança positiva, em lugar de ao desespero e à catástrofe.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã