Laurence Freeman, OSB - WCCM
"Pensamento, Sentimento, Amor"- Leitura de 13/06/2010
O Caminho do Não Conhecimento (São Paulo: Ed. Vozes, 2009), pgs. 219-222.
Tradução Dom Alexandre Andrade OSB
 

Amar é ver claramente e sentir tudo iluminado pelo amor. Tudo é percebido através do poder iluminador que o amor desencadeia. . . . O chamado dirigido ao cristianismo é para ir além de todas as obscuridades e duplicidade de foco, e fazê-lo purificados pelo amor de Jesus. O real chamado feito a cada um de nós, pois, em conhecer-nos como pessoas que estão amando. Ver claramente é saber que o amor de Jesus, o poder de sua energia purificadora, está presente e trabalhando em nosso coração. O problema é que, quando nós pensamos a respeito de nossa vida interior, da “vida do espírito”, nós tendemos a pensar em termos de pensamento e emoção. Porém, o pensamento e o sentimento religiosos possuem uma capacidade muito limitada para nos conduzir além de nós mesmos em direção ao altruísmo do amor. Pensar e sentir, provavelmente, nos levam de volta à imaginação, o maior inimigo da realidade da presença de Cristo em nosso coração.

A vida espiritual baseada apenas no pensamento é provavelmente tão seca quanto o pó; baseada apenas na emoção, provavelmente, nos conduz àquele tipo de intolerância religiosa que surge quando nossos pensamentos escapam de suas amarras. O nosso chamado é no sentido de estar enraizado e fundado no amor.

É claro que pensamento e sentimento são elementos essenciais em cada peregrinação; mas Jesus chama cada um de nós a ir além disto, em direção à presença todo-poderosa e todo-amorosa de Deus em nosso coração. O que precisamos descobrir, na meditação e, segundo penso, o que cada um de nós deve descobrir, se quiser viver a sua vida plenamente, é que a realidade de Deus é o único fundamento sobre o qual nós podemos construir. Qualquer pensamento sobre Deus, qualquer emoção que diz respeito a Ele é sujeita às constantes mudanças de nossos níveis transitórios de consciência. A meditação é o despertar para a realidade de Deus naquele nosso nível interior, onde não temos um altar-imagem ou um culto de devoção a Deus, mas onde Ele simplesmente é, em sua pura e graciosa autodoação. Essa presença é a única suprema sanidade, porque Deus é a suprema realidade. Só em Deus podemos encontrar a coragem para ver o que está para ser visto, para trilhar o caminho que devemos percorrer. Só em Deus podemos encontrar a força para carregar a nossa cruz. E só em Deus podemos descobrir que essa cruz é um fardo leve e doce.

No curso geral de nossa vida de peregrinação não rejeitamos o pensamento, não rejeitamos a emoção, mas reconhecemos que, se a peregrinação deve levar-nos à realização do puro ser de Deus, devemos transcendê-los por uma disciplina que se torna, como o fardo, leve e doce. A nossa meditação é essa disciplina. [...]

Nunca devemos esquecer a disciplina do caminho. Não existe fórmula instantânea. Devemos repetir o nosso mantra com crescente fidelidade. Devemos retornar à nossa meditação com crescente amor.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã