Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
"Profundidade" - Leitura de 13/09/2009
A Luz que vem de Dentro, São Paulo, Paulus,1989 (pgs.133 e 134).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Quer gostemos disso, ou não, não existe local onde possamos nos acomodar para nos agarrarmos ao que já foi conquistado. Precisamos renunciar a tudo, para que possamos receber mais. Isto explica a pobreza e a simplicidade do mantra, à medida que ele produz a felicidade e a liberdade da vida cristã. Todavia, ele é exigente. Parece-nos relativamente fácil, permanecermos com as limitações que conhecemos tão bem... mas, somos chamados a algo que, de tão exigente, só pode ser puro amor. Somente o amor, pode exigir que a pessoa se entregue por inteiro, convocando tudo o que esteja oculto a se mostrar. A verdadeira individualidade está ocullta por trás do ego, por trás das limitações, medos e inseguranças. O indivíduo é chamado a sair de trás de todas as falsas estruturas da personalidade, para que se estabeleça simples, livre, inteira e, absolutamente, perante Deus. [...]

Por ser tão exigente, a paz pode quase parecer mais assustadora do que a violência que nos infligimos a nós mesmos quando em estado egoístico (ou do que a violência que infligimos a terceiros). A profunda paz, vira nosso mundo de cabeça para baixo. Precisamos entrar em sintonia com um muito refinado equilíbrio de vida, a refinada frequência do Espírito, de modo a encontrar a simplicidade e a sutileza, de corresponder ao dinamismo do Cristo. Mergulharmos nessa profundidade, abrirmo-nos a essa profundidade, significa passarmos a ser vulneráveis e, nos mantermos vulneráveis, não apenas na prece, mas, em todas as facetas da vida.

O amor cria vulnerabilidade, a vulnerabilidade da compaixão, ou do comprometimento incondicional. Adicionalmente, precisamos aprender, de maneira madura, a ser resilientes, pois, mantendo-nos vulneráveis isso significa que seremos feridos, e que não poderemos deixar que o ferimento venha a nos fechar novamente. Esse equilíbrio específico entre a vulnerabilidade e a resiliência, é parte desse exclusivo amálgama espiritual, psicológico e intelectual, que forma o ser humano. Cada um começa a partir de um diferente tipo de desequilíbrio, porém todos somos chamados ao mesmo equilíbrio e centralidade, o mesmo enraizamento no Cristo, que foi ferido, mas, foi resiliente na transcendência do perdão.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã