Dom John Main, OSB - WCCM
"O Labirinto" - Leitura de 15/02/2009
JESUS THE TEACHE WITHIN (New York Continuum, 2000), pgs. 231-32.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Se é para abraçarmos a eternidade da plenitude de ser (o "Eu Sou" de Deus), precisamos primeiro encarar a dura realidade da impermanência e do vazio. A tentação é sempre a de reduzir a intensidade, de mergulhar num menor grau de consciência, até mesmo de dormir.

O Buda alertou contra o anuviar da mente, neste ou em qualquer outro estágio da jornada, com tóxicos ou sedativos, estimulantes ou calmantes. Jesus exortou a todos para ficarem plenamente conscientes:

Estai de sobreaviso, vigiai, porque não sabeis quando será o tempo... Vigiai pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa chegará, se de tarde ou à meia noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que vindo de repente, não vos encontre dormindo. O que digo a vós, o digo a todos: vigiai! (Mc 13, 33-37)


Na carta aos Efésios, Paulo diz que esta afirmação sobre vigilância conduz aos "poderes espirituais da sabedoria e da visão" até à gnose do conhecimento espiritual. Mas, mesmo com uma fé forte, o doloroso sentido da separação não é imediatamente dissipado, mesmo quando a sabedoria começa a brilhar. A parede do ego pode parecer um obstáculo intransponível, um beco sem saída, nos deixando sem ter para onde correr. Mas, tal como somos lembrados pela Ressurreição, o que parece o fim, não o é. Ao encararmos nosso egoísmo entrincheirado e, reconhecendo sua morte vagarosa, a meditação nos ajuda a verificar nossa própria ressurreição em nossa própria experiência.

A lei da natureza grosseira, do karma, e a dominação do ego que nos limita, reinam até que, até aparecer um furo na parede. Primeiro, removemos um tijolo, como se por uma mão invisível, e divisamos uma perspectiva que está além de tudo o que havíamos pensado anteriormente, ou que éramos capazes de conhecer. É uma experiência e, ainda assim, a experimentamos de uma maneira que não se parece a nada que tenhamos experimentado antes. Não somos mais a pessoa meramente individual que pensávamos ser. A vida mudou irreversivelmente. Vivemos e, ainda assim, como São Paulo, não mais vivemos.

Eu sou porque eu não sou.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã