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"Caríssimos Amigos" - Leitura de 16/09/2012
John Main OSB, THE HEART OF CREATION (New York: Continuum, 1998), pg. 9-10.

Em tempos de conflito e de medo, é difícil encontrar a paz interior.  Quando a mente e as emoções são turbulentas, descobrimos que nos sentarmos em imobilidade é difícil.  É muito fácil desistirmos da meditação, nessas horas em que ela mais nos é necessária.   Assim, nos ajudará entendermos que a meditação não se destina apenas a nós mesmos.  Caso assim fosse, nada mais seríamos do que consumidores da religião.   O significado da contemplação se encontra em seus frutos, especialmente no amor e no serviço aos outros.  Quando temos paz interior, nos voltamos para os outros, com compaixão.  Sem ela, toda nossa manifestação está sujeita ao desejo, à raiva e à competitividade do ego.  Deus é o amor que desfaz o medo em nosso vizinho, pois quando verdadeiramente encontramos aquele amor dentro de nós mesmos, jamais poderemos causar qualquer mal a nosso vizinho.

O auto-conhecimento nos abre para o mistério da exclusividade humana, a unidade na diversidade.  Enquanto não reconhecermos e abraçarmos nossa própria exclusividade, não poderemos nos relacionar com o universal.   Permanecemos presos na armadilha do egoísmo.  Devemos compreender nossa própria santidade particular, antes que possamos conhecer o todo em que temos nosso ser e, onde mais verdadeiramente nos sentimos em casa.  O grande erro (e o pecado do clericalismo) é o de fingir ter assimilado o universal antes de termos alcançado o auto-conhecimento.  Tentar assimilar o universal, falar em nome dele, controlá-lo, esses são os sinais de que nós ainda não fomos assimilados por ele.


O que é que o "universal" significa?  Jesus o expressou como sendo a natureza do amor divino dispensado imparcialmente a tudo o que é.  Assim como o sol ilumina igualmente o bom e o mau.  Isto significa que Deus está além da moralidade humana.  Deus nunca luta a meu lado contra os outros.  Assim como a chuva, o amor divino recai sobre o inocente e sobre o malvado.  Isto significa que a justiça de Deus está além de qualquer tentativa humana de ser justo.  Um amor une o opressor e a vítima.  Precisamos primeiro experimentar essa universalidade à medida que ela se aplica a nós mesmos.   Ela então, descarta o ego.  Ela nos simplifica.  Ela nos eleva acima da complexidade de nossas vidas, à medida que inunda todo nosso ser, por nosso mais profundo centro.  Só então estaremos verdadeiramente despertos.  Ali principiam as gêmeas aventuras humanas da descoberta e da celebração.  Descobrimos que o mesmo amor está em toda parte e, envolve a todos, até mesmo aqueles que ainda não sejamos capazes de amar.  Contudo, ao menos podemos ver que eles são passíveis de ser amados.  Também celebramos.  Nos regozijamos com a beleza intoxicante que apenas os olhos de um amante podem ver.  Só então, teremos verdadeiramente feito as pazes conosco e com o mundo.


A paz não é alcançada com a erradicação e a destruição do mal.  Quando nos damos conta de nossos vícios, raiva, orgulho, ganância e luxúria, a tentativa de destruí-los facilmente se degenera em ódio a si mesmo.  Afinal, se não podemos nos amar a nós mesmos, por que nos importarmos em amar aos outros?  Melhor que destruir suas falhas, é trabalhar para pacientemente implantar as virtudes, um trabalho mais lento e menos dramático, mas muito mais eficaz.   Adicionalmente, ao evitar os perigos da hipocrisia religiosa e do moralismo, cria-se uma mais agradável personalidade ativa.  Escondidas em todas as nossas falhas, nossa capacidade para a maldade, há também as sementes de muitas virtudes.  O terrorista pode ter tido a semente da justiça nele, antes que dele se apossassem sua própria raiva e, a ilusão de que ele seria o instrumento da ira divina.  Quando combatemos a nós mesmos (muitos dos grandes fanáticos religiosos têm praticado a auto-negação) nos arriscamos a enormes danos colaterais: com a destruição de nossas próprias sementes de virtude.  Todo tipo de violência é um crime contra a humanidade, pelo fato de privar o mundo de bondade desconhecida.


O primeiro passo na implantação das virtudes que por fim sobrepujarão os vícios, é o de estabelecer a virtude fundamental da prece regular e profunda.  Através desse ritmo silencioso da prece, a sabedoria lentamente penetra nossa mente e nosso mundo.  A sabedoria é o poder universal que, da maldade, gera o bem.  Tal como nos diz o livro da Sabedoria: "a esperança da salvação do mundo reside num maior número de pessoas sábias".  Os sábios conhecem a distinção entre o auto-conhecimento e a auto-fixação, entre o desapego e o endurecimento do coração, entre o corrigir e a crueldade.  Não há regras para a sabedoria.  As regras nunca são universais.  Mas, a virtude é.

 

 

 

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã