Leitura da Semana :: WCCM
 

"Mensagem de Natal" - Leitura de 16/12/2012
Laurence Freeman OSB – via e-mail, 2009.

 

Uma tradição judaica nos diz que quando os anjos viram o que Deus havia feito na obra da criação eles irromperam em um cântico de louvor que se perpetua ao longo dos tempos no coração de todas as coisas.

A história de que o nascimento de Jesus provocou um outro louvor cósmico similar depois que os pastores ouviram a boa nova, nos relembra do quanto é similar e diferente a nova criação em Cristo. Similarmente, esse mantra canta em nossos corações, na epifania de seu nascimento em nós.

A história do nascimento e da infância de Jesus nos evangelhos contém alguns cânticos, que passaram a fazer parte das orações diárias dos cristãos: o Benedictus de Zacarias, o Magnificat de Maria e o cântico de Simeão. Esses atos de louvor humanos foram compostos, provavelmente, nas primeiras comunidades cristãs, na medida em que elas refletiam acerca do mistério de Jesus e, gradativamente, nele se aprofundavam. Depois, eles foram adicionados ao evangelho de Lucas, retrospectivamente, nos relatos posteriores de seu nascimento. Esse padrão nos mostra como a prece, a liturgia e a escritura compõem o tecido da tradição de fé e, é a esse denso significado que voltamos todos os anos na celebração do período natalino.

Os seres humanos contam histórias para formar o significado que precisamos descobrir de modo a vivermos bem. As histórias da escritura diferem daquelas de uma novela, ou mesmo daquelas da ficção literária, com que nos entretemos. As narrativas da escritura, tais como a do nascimento de Jesus, nos dão entendimento maior a cada vez que as relembramos, por estarem tão entrelaçadas com as histórias de nossas próprias vidas. O Verbo, que está vivo e ativo, alimenta nossa experiência que se aprofunda, essa elevação e esclarecimento da consciência resultante de nossa meditação. Também, nos remete de volta à escritura, com uma fome e uma capacidade de discernimento renovados.

O Natal é um banquete de significado. Grande parte dele se reflete em nossas formas culturais de celebrar esse período do ano: a troca de presentes que nos relembra que os relacionamentos humanos se baseiam na doação, e não na barganha ou na exploração, as reuniões de familiares e de amigos, que nos relembram que não estamos sós nas solitudes da jornada humana, as comidas e bebidas que nos relembram que a celebração para nós é natural e necessária. Porém, tudo isso depende da experiência pessoal que temos acerca do que é mais essencial no Natal: a simplicidade e a pobreza radicais, a proximidade intoxicante de Deus, revelada por nossa total dependência do ser. Quanto mais nos aproximarmos dessa simplicidade radical, para a qual nossa meditação continua a nos encaminhar, mais razões teremos para cantar. Quanto mais completo o cântico, tanto mais rico o silêncio.

Como uma comunidade, abriguemos uns aos outros em nossos corações nesse período repleto de alegria. Que nossa percepção dessa nova criação nos reabilite para o amor à terra, de que tanto necessitamos se quisermos reparar os danos que lhe infligimos. Que a nossa vida como comunidade eleve a energia de paz necessária a nosso mundo dividido, assim como a justiça, da qual a paz depende: a própria sabedoria personificada pelo recém-nascido Jesus.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã