"Os Oceanos de Deus" - Leitura de 16/03/2008
THE PRESENT CHRIST (NY: Crossroad, 1991), pgs. 111-112, 116-117.
Tradução de Roldano Giuntoli

Nossa vida é uma unidade porque está centrada no mistério de Deus. Mas para compreender sua unidade temos que olhar para além de nós mesmos e com uma perspectiva maior do que a que geralmente enxergamos quando o auto interesse é nossa principal preocupação. Apenas quando começamos a abandonar o auto interesse e a auto consciência é que esta perspectiva maior começa a se abrir...

Uma outra forma de dizer que nossa visão se expande, é dizer que nós conseguimos ver além das meras aparências, na profundidade e significado das coisas... não apenas... em relação a nós mesmos mas... ao todo do qual fazemos parte. Este é o caminho do verdadeiro autoconhecimento e, por isso, o verdadeiro autoconhecimento é idêntico à verdadeira humildade. A meditação nos abre para uma forma preciosa de conhecimento… Este conhecimento que se transforma em sabedoria... uma vez que saibamos, não mais por análises e definições, mas por participação na vida e espírito de Cristo.

A maior dificuldade é começar, tomar o primeiro passo, se lançar na profundidade e realidade de Deus como revelada em Cristo. Uma vez que tenhamos deixado as praias do nosso próprio eu, nós, rapidamente, navegamos nas correntes da realidade que nos dá sua direção e impulso. Quanto mais quietos e atentos estivermos, mais sensivelmente responderemos a essas correntes. E, então, mais absoluta e verdadeiramente espiritual se torna nossa fé.

Pela quietude no espírito nos movemos em direção ao oceano de Deus. Se tivermos a coragem de sairmos da costa, não fracassaremos em encontrar esta direção e energia. Quanto mais nos distanciamos, mais fortes se tornam as correntes e mais profunda a nossa fé. Por um tempo, a profundidade da nossa fé é desafiada pelo paradoxo de que o horizonte de nossa destinação está sempre recuando. Onde estamos indo com esta fé aprofundada? Gradualmente reconhecemos o significado da corrente que nos está guiando e compreendemos que o oceano é infinito.

Deixar a costa é o primeiro grande desafio, mas é indispensável começar para encarar o desafio. Ainda que os desafios se tornem maiores depois, somos assegurados de que nos será dado tudo que é necessário para encará-los. Começamos repetindo o mantra.

Recitar o mantra é estar sempre começando, retornando ao primeiro passo. Com o tempo aprendemos que há apenas um passo entre nós e Deus... Cristo deu este passo. Ele mesmo é o passo... A única forma de conhecer Cristo é entrar no seu mistério pessoal, deixando idéias e palavras para trás. Nós as deixamos para trás, para entrar no silêncio do pleno conhecimento e amor, para os quais a meditação está conduzindo cada um de nós.

Laurence Freeman OSB

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã