Dom John Main, OSB - WCCM
"Crescer em Deus" - Leitura de 17/05/2009
THE WAY OF UNKNOWING (NY: Crossroad, 1990), pgs. 79-81.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Quanto mais você medita, quanto mais você persevera atravessando as dificuldades e os falsos começos, mais você se dá conta que precisa continuar, caso deseje conduzir sua vida de maneira profunda e significativa. Você não deve nunca esquecer o caminho da meditação: repetindo seu mantra do início até o fim. Isso é fundamental, um axioma, não deixe que nada o afaste dessa verdade... A disciplina, a ascese da meditação, nos coloca essa única exigência de forma absoluta: que precisamos deixar para trás nosso eu tão completamente, deixar nossos pensamentos, análises e sentimentos para trás tão completamente, que podemos estar totalmente à disposição do Outro...

Qual é a diferença entre a realidade e a irrealidade? Acredito que uma maneira pela qual podemos entender isso, é a de enxergar a irrealidade como o produto do desejo. Uma coisa aprendemos com a meditação, a abandonar o desejo, e aprendemos, pois sabemos que estamos convidados a viver integralmente o presente momento. A realidade exige a imobilidade e o silêncio. Esse é o compromisso que assumimos ao meditar. Tal como todos podemos descobrir por experiência própria, na imobilidade e no silêncio, aprendemos a nos aceitar assim como somos. Isso soa muito estranho aos ouvidos modernos, principalmente aos modernos cristãos, que foram educados para praticar muito esforço, ansiosamente: “Eu não deveria ser ambicioso? Que será de mim se eu for uma má pessoa, eu não deveria desejar ser melhor?”

A verdadeira tragédia de nossos tempos é que estamos tão cheios de desejos, por felicidade, por sucesso, por prosperidade, por poder, quaisquer que sejam eles, que estamos sempre nos imaginando como poderíamos ser. Tão raramente acontece de chegarmos a nos conhecer tal como somos e, de aceitarmos nossa posição atual. Mas, a sabedoria tradicional nos diz: saiba que você é e, que você é como é. Pode muito bem acontecer de sermos pecadores e, se assim for, é importante que saibamos que o somos.

Muito mais importante para nós, porém, é sabermos, por experiência própria, que Deus é a base de nosso ser, e que nele estamos arraigados e fundamentados... Esta é a estabilidade de que todos precisamos, não do esforço e da dinâmica do desejo, mas, da estabilidade e da imobilidade do enraizamento espiritual.  Cada um de nós está convidado a aprender em nossa meditação, em nossa imobilidade em Deus, que nele temos tudo o que precisamos. [...]

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã