"O Silêncio da Alma" - Leitura de 17/02/2008
(The Tablet, 1997)
Tradução de Roldano Giuntoli

[Um] motivo pelo qual o silêncio nos é tão perturbador [é este]: Assim que começamos a nos tornar silentes, experimentamos a relatividade de nossa mente comum do dia a dia. Com essa mente medimos nossas coordenadas de espaço e de tempo,calculamos as probabilidades e contabilizamos nossos erros e acertos. Trata-se de um nível de consciência muito útil e importante. É um estado mental tão útil e familiar que, facilmente acreditamos ser tudo o que somos: a totalidade de nossa mente, nosso verdadeiro eu, nossa inteira significação.

A vida, o amor e a morte, freqüentemente nos ensinam o contrário.
Trombamos com o silêncio em muitas reviravoltas inesperadas da estrada da vida, em maneiras imprevisíveis, em pessoas improváveis. Sua saudação possui um efeito que é ao mesmo tempo, emocionante, pleno de maravilhamento, ainda que, freqüentemente apavorante. 
A cada momento, nossos pensamentos, medos, fantasias, esperanças, raivas e atrações, estão todos surgindo e desaparecendo. Nos identificamos, automaticamente, com esses estados, sejam eles passageiros ou, compulsivamente recorrentes, sem pensar o que estamos pensando. Quando o silêncio nos ensina o quão transitórios e, portanto pouco confiáveis, na verdade, são esses estados, confrontamo-nos com o terrível questionamento de quem somos nós. No silêncio precisamos lutar contra a terrível possibilidade de nossa própria irrealidade.

O pensamento budista faz dessa experiência, denominada anatman ou, o “não ser”, um dos principais pilares de sabedoria do seu caminho de libertação do sofrimento e, um de seus essenciais meios de iluminação. Incentiva-se o praticante budista a buscar essa experiência da transitoriedade interior e, em vez de fugir dela, mergulhar nela de cabeça, assim como fizeram, Meister Eckhart e os grandes místicos cristãos.

É compreensível que anatman seja a idéia budista que outros considerem a mais desafiadora.  Quanto absurdo, quão terrível, quão sacrílego dizer que eu não existo. De fato, muito do antagonismo cristão ao anatman é infundado ou, fundamentado em interpretação errônea.  Não significa que não existimos, mas, que não existimos em autônoma independência, que é o tipo de existência que o ego gosta de imaginar ter; o tipo de fantasia de ser Deus, com que a serpente tentou Eva. Trata-se da arrogância que, freqüentemente ataca as pessoas religiosas.

Não existo independentemente, pois Deus é o fundamento de meu ser.  À luz desse entendimento, lemos as palavras de Jesus no Novo Testamento, com percepção aprofundada. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me..., mas, o que perder a sua vida por causa de mim, a salvará” (Lc 9, 23-24).

Caso, através do silêncio, possamos abraçar esta verdade do anatman, faremos importantes descobertas acerca da natureza da consciência. Descobriremos que a consciência, a alma, é mais do que o fantástico sistema de julgamento, de cálculo e, de computação do cérebro. Somos mais do que, o que pensamos. A meditação não é o que pensamos.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã