Dom John Main, OSB - WCCM
"O Silêncio do Amor' - Leitura de 19/04/2009
Word Made Flesh (London: Darton, Longman, 1993), pp. 28-29
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A memorável frase de Santo Agostinho se dirige revigorada a todas as gerações de cristãos: “Meu coração estará agitado, até que ele repouse em Ti.” Trata-se da universal e perene busca humana, para encontrar aquele repouso e, para compreender que encontrar repouso, é encarar o desafio de colocar os pés no chão. Precisamos encontrar a base realmente sólida, a partir da qual vivemos. Quanta vida passa. Essa vida é como a areia que escorre pela ampulheta. Porém, ao vermos a areia escorrendo, todos sabemos que não deve haver apenas isso. Sabemos que deve haver algo mais sólido e duradouro. [...]

A partir de, em direção a. Perder, encontrar. Esse é o problema, ao falarmos de meditação. Qualquer que seja a linguagem que utilizemos, ela começa a falsificar algum aspecto da experiência, tão logo comecemos a nos manifestar. Se eu falo de “perder nossa vida”, não consigo explicar quão completamente e, quão profundamente, nossa vida nos é presenteada. A idéia de perda, falha em capturar nossa profunda consciência da vida, como dádiva absoluta, algo que não escorre pela ampulheta, mas, se expande em direção à eternidade.

A linguagem é muito fraca para explicar a abrangência do mistério. É por isso que o silêncio absoluto da meditação é de tão suma importância. Não tentamos pensar em Deus, falar com Deus ou, imaginar Deus. Permanecemos naquele silêncio reverente, abertos ao silêncio eterno de Deus. Através da prática e do aprendizado diários, descobrimos, na meditação, que essa é a ambientação natural para todos nós. Fomos criados para isso e, naquele silêncio eterno, nosso ser floresce e se expande.

O “silêncio”, como palavra, entretanto, já falsifica a experiência e, talvez afaste muitas pessoas, por sugerir alguma experiência negativa, a privação do som ou da linguagem. As pessoas temem que o silêncio da meditação possa ser regressivo. Porém, a experiência e a tradição, nos ensinam que o silêncio da prece não é um estado pré-linguístico, mas, pós-linguístico, aquele no qual a linguagem já completou sua tarefa de nos indicar o caminho, através e além dela, e de todo o reino da consciência mental. O silêncio eterno não está privado de nada, nem nos priva de qualquer coisa. Trata-se do silêncio do amor, da aceitação indistinta e incondicional.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã