Dom John Main, OSB - WCCM
"Caríssimos Amigos" - Leitura de 19/07/2009
Newsletter da WCCM Internacional, Inverno de 2000
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Ao mesmo tempo em que muitos cristãos vêem hoje seus líderes regredir a um sectarismo rígido, eles aprendem a encontrar uma expressão mais verdadeira dos ensinamentos de Jesus, em sua antiga sabedoria contemplativa. Não são os que repetem da boca para fora “Senhor, Senhor”, aqueles que “agradam ao Pai”, mas, os que “cumprem a vontade do Pai”. Nos dias de hoje, muitas pessoas só consideram que uma doutrina seja digna de crédito, ainda que procure expressar o inefável, não apenas porque ela reivindica ser verdadeira, mas, porque ela nos ajuda a alimentar a crença de que, nela, há mais do que mero consumismo. Porém, nenhuma crença, que hoje seja digna de aprovação, poderá ser mantida com certeza, exceto a certeza da fé que se alia à esperança e ao amor.

A certeza do fundamentalista precisa ser sacrificada e, o questionamento radical precisa nos ser permitido a todos. Nossa experiência com a morte da certeza, também é morte do desejo: o desejo egoísta de estarmos certos, de estarmos a salvo, de sermos melhores que os outros. Essa morte é a nossa parte na cruz. O renascimento do desejo que se segue, é o do desejo transformado, que se projeta de um coração puro na visão de Deus. Desejar a Deus, não se parece a nenhum outro desejo que tenhamos conhecido. E, no entanto, “feliz é a pessoa cujo desejo por Deus tenha se tornado semelhante à paixão da amante por seu amado” disse São João Clímaco. Não se exaure e, não nos leva a explorar terceiros para poder satisfazê-lo. Ele tanto é desejar, quanto estar livre do desejo, tal como se havia experimentado anteriormente. [...]


A meditação é a purificação do coração e, a morte do desejo. Assim como há um nascimento para cada morte, há também a regeneração do desejo, como desejo por Deus. Isso nunca poderá ser um objeto de satisfação do ego. Porém, é claro, é um desejo por nossa própria felicidade: não podemos nunca desejar ser infelizes. Desejar a Deus... é desejar nossa felicidade pela obediência à lei do... amor. Essa lei determina que o único tipo de desejo que nos fará verdadeira e permanentemente felizes, é o desejo pela felicidade de outros.

È uma bela pobreza de espírito. É um revitalizante caminho a seguir. Se há momentos difíceis, eles não impedem que seja feliz, belo e pacífico. É uma pobreza grandiosa porque nos liberta para vermos a luz de nosso verdadeiro ser e sabermos que somos aquela luz.
O mantra nos faz atravessar as camadas do pensamento, da linguagem e da imaginação, até a luminosidade pura da plena consciência. O mantra é muito simples, é como o 'bip' que guia um avião para aterrissar em meio à névoa, pois ao seguir o 'bip' o avião mantém o rumo. É como o cursor na tela do computador, que ao mesmo tempo segue e guia a mente. Onde esta o cursor também está o operador. O mantra é simplesmente o ponto focal onde brilha a luz do verdadeiro eu. Ao seguir meditando, podemos não sentir que isto ocorra durante os momentos da meditação, mas, não se preocupe e não espere que algo aconteça... Mas, se perseverar, então sua própria vida brilhará, lenta mas profundamente, com essa luminosidade interior... e saberá que a luz está ali, em tudo.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã