Dom John Main, OSB - WCCM
"O amor vem de deus. . ." - Leitura de 21/03/2010
Laurence Freeman OSB, ASPECTS OF LOVE: On Retreat with Laurence Freeman (London: Medio Media/Arthur James, 1997), pp. 84-86.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

O amor vem de Deus, nos diz São João. Todo aquele que ama é uma criança de Deus. Essa experiência de amar a Deus está enraizada na nossa capacidade de sermos amados, e essa é a grande qualidade da criança. Uma criança quer ser amada. Trata-se da coisa mais natural, e talvez seja a única coisa que a criança queira com todo o seu ser... É aquela capacidade infantil de sermos amados, que recuperamos por meio da meditação, nossa mais profunda e mais verdadeira identidade de criança de Deus. Este conhecimento de que somos crianças de Deus, querendo ser amadas, e aceitando a pobreza da carência de sermos amadas, é o que nos cura. Trata-se daquele auto-conhecimento que nos cura, e cura a pessoa inteira, inclusive a realidade psicológica que possuímos no papel de criança dos nossos pais, de marido e de esposa, irmão ou irmã. Essa realidade psicológica, com a qual lutamos ou pensamos a respeito durante a maior parte do nosso tempo, é uma parcela verdadeira de nós mesmos, mas não é a pessoa inteira. Existe uma distinção fundamental entre o caminho do espírito e o caminho da psicologia. Nossa mais profunda identidade é a nossa identidade como criança de Deus e, por meio do conhecimento e da descoberta disso libertamos, a partir de nosso interior, poderes cósmicos de cura e de renovação.

São João nos diz que Deus jamais foi visto. Em outras palavras, Deus nunca pode ser um objeto fora de nós mesmos... Precisamos nos dirigir àquele nível de nosso ser (o coração, o espírito) onde não haja nada fora de nós, em que compreendemos que estamos relacionados, em comunhão, na dança do ser, com tudo o que é, em Deus. Cada um de nós recebe este chamado, e possui esta capacidade. É por essa razão que na nossa meditação abandonamos todas as idéias ou imagens de Deus como . . . “algo” fora de nós mesmos. Deus nunca foi visto, mas vive em nós ao nos amarmos uns aos outros. Esta é toda a estrutura da vida cristã. Deus não pode ser visto, mas se expande em nós se nos amamos uns aos outros. E, então, como nos diz São João, o amor é levado à perfeição.

Os ...aspectos do amor a que nos referimos nos mostram que o amor é uma escola. Aprendemos a amar, amando, e a meditação é a principal lição pela qual aprendemos. [...] À luz da experiência da meditação somos capazes de ver ... o grande poder de equilíbrio do amor que nos cria, que nos acompanha ... que nos cura e nos ensina... Não se trata de um amor que precisamos para ganhar ou para receber, mas um amor que está constantemente conosco. Nossos olhos se abrem através da meditação para ver o quanto esse poder do amor está presente em meio a todo nosso desequilíbrio, nossa inconstância, nossa distração. Até mesmo na distração de nossa meditação, somos capazes de sentir mais e mais profundamente, a presença da paz. E, à medida que ela nos ensina a nos amarmos a nós mesmos, a amarmos as outras pessoas, e a amarmos a Deus, a meditação também nos ensina que todos os relacionamentos são na verdade, aspectos de um relacionamento.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã