WCCM

"A Plenitude de Deus" - Leitura de 14/10/2012
John Main OSB, MOMENTO DE CRIST0 (São Paulo: PAULUS, 2004)

Certa vez John Main falou da reação a uma palestra que ele dera em um mosteiro trapista na Irlanda. O abade fizera um pedido de improviso por uma conferência de uma hora sobre a oração contemplativa e o conduzira a uma igreja austera alinhada com dois coros de monges silenciosos e encapuzados. Ele falou sobre a meditação direto de seu coração. Ao final da conferência os monges se enfileiraram rumo à saída, mas, ao final da fila, um dos mais idosos parou a seu lado para cochichar uma pergunta: “Qual era o mantra?” Padre John lhe disse, “Maranatha”. O ancião absorveu-o por alguns momentos e disse: “Sabe, eu esperei 40 anos para ouvir isso”.


A presença e a autoridade pessoal de John Main podiam causar uma mudança de vida para quem o ouvisse transmitir a tradição da Meditação Cristã. Suas palavras eram uma poderosa reafirmação de um antigo ensinamento revivido de uma maneira fresca e desafiadora . . . Para ele, o meio de comunicação não era essencialmente de uma personalidade humana, mas o Espírito Santo, que está igualmente presente no palestrante e no ouvinte e na Palavra viva que os conecta. Ele falava e escrevia com a autoridade de quem havia sido conduzido diretamente ao coração vivo da tradição, e da qual se havia pessoalmente apropriado de maneira completa, mas se tratava da tradição viva, e não apenas da sua experiência privada, o que ele queria comunicar.


“Em sua própria experiência” é uma frase que encontramos frequentemente em São Paulo, e que John Main frequentemente utilizava tanto em seus ensinamentos escritos, quanto nos verbais. Ele confiava que o próprio ensinamento faria o trabalho de persuadir através da experiência. O Buddha transmitia seu dharma com autoridade pessoal, mas dizia a seus discípulos para testarem-no eles mesmos, por experiência própria. O ensinamento cristão, de modo semelhante, insiste na fé que se desenvolve em conhecimento (gnose). A experientia magistra ( a experiência é o mestre) de João Cassiano expressa uma verdade profundamente cristã: de que o Cristo é o ensinamento e o mestre, e que, se fielmente pudermos chegar às condições espirituais testadas pelo tempo (silêncio, imobilidade e simplicidade), seremos conduzidos à compreensão experiencial dessa unidade. Assim, tal como diria John Main, a primeira tarefa do mestre humano é a de se abstrair tão logo quanto seja possível, para levar as pessoas a ver a Cristo como o mestre.


No ensinamento de John Main há uma forte ênfase na experiência. Meditação é, para ele, uma experiência na fé, não apenas na crença. Isso só será compreendido na experiência contemplativa. Ele não desenvolveu uma teologia sistemática, ou um ensinamento que sempre dependesse de se encontrar algo novo para ser dito. Sua imaginação e inteligência poderiam tê-lo levado a seguir esse caminho, mas, de fato, foi a sua experiência (fundamentada na meditação diária), que era tão real, que não o deixou esquecer sua própria descoberta de que a prece cristã se refere ao conhecimento participativo, e não ao pensamento: “por meio do pensamento você jamais O conhecerá, apenas pelo amor”(A Nuvem do não Conhecimento).

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã