John Main OSB - WCCM

“Caríssimos Amigos" - Leitura de 22/01/2012
Laurence Freeman OSB, Christian Mediation Newsletter, Vol. 30, No. 1, Março 2006.

Os padres do deserto, que leram e entenderam o Evangelho, também entenderam que é sempre o relacionamento que cura.  A solidão lhes ensinou isso, e os sustentou na vida de suas comunidades.  Eles sabiam que relacionamentos crescem através da atenção.  Também, sabiam o que eram os demônios...


A dependência é, meramente, a trágica consequência de identidade errada.  Pensamos que determinada substância ou atividade nos ajudaria a encontrar o que estávamos procurando e, na prática, isso resultou ser um demônio disfarçado de anjo da luz, e agora estamos fisgados.  Nossa sede por Deus foi desviada e, agora estamos bebendo veneno.  Quando Cortez, o invasor espanhol do século XVI, chegou ao México, os Aztecas o viram como sendo a realização de suas profecias religiosas.  Eles o abraçaram, e o acolheram, e descobriram, à custa de toda sua cultura, que era muito tarde.


Nos agarramos sempre aos nossos imaginados redentores, sem nos darmos conta que nenhum verdadeiro redentor permitiria ser usado desta maneira. "Não me retenhas...eu ainda não subi a meu Pai".  O verdadeiro terapeuta permite relacionamento, mas não permite que o relacionamento se torne uma dependência.  Os primeiros cristãos viam Jesus mais como um médico da alma da humanidade, do que como o fundador de uma nova religião.  Seu maior significado - e todos os níveis de identificação começavam pela sua pergunta "quem você diz que eu sou?"- é encontrado na liberdade que ele ofereceu àqueles que aprendiam com sua amabilidade e humildade.  Isso era possível especialmente para aqueles que aceitavam o suave jugo da sua amizade.  Abdicar desta liberdade por outra, em dependência, é falhar em reconhecê-lo.  "Ele estava no mundo, mas o mundo, ainda que a ele devesse sua existência, não o reconhecia", esse é um alerta para nós hoje, tanto quanto uma descrição do que aconteceu durante sua vida temporal.  Ainda se aplica mais aos cristãos que o transformam em um outro deus ou ídolo, do que para aqueles que o buscam verdadeiramente, mas ainda não sabem entendê-lo.  Ele não poderia ser mais claro: ele se ofereceu como um caminho que, ao seu nível mais profundo, pode ser entendido como o próprio objetivo.  "Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que me enviou; e aquele que me vê, vê aquele que me enviou."( Jo 12,44).


É fácil descartarmos o paradoxo dessas palavras.  Preferimos certezas racionais e definitivas.  Também, é fácil rir do que parece desafiar nossas maneiras familiares de pensar e perceber a realidade.  E, se estas maneiras familiares de percepção estiverem, na verdade, invertendo a realidade?  E, se o que chamamos de liberdade é, de fato, dependência?... Os mestres do deserto entenderam que enfrentar as duras verdades de nossas ilusões e dependências é o fruto do trabalho de muitas tentações.. ...Eles chamaram essa fase de luta contra os demônios, mas eles sabiam que os demônios estão dentro de nós. Nós, simplesmente, evitamos a briga, ao projetá-los fora.  A integridade da pessoa, nossa liberdade para sermos nós mesmos e amarmos outros, é aperfeiçoada pelo desafio que abraçamos, toda vez que sentamos para fazermos o trabalho do silêncio.

 

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã