Dom John Main, OSB - WCCM
"Hope" - Leitura de 22/06/2008
The Selfless Self (New York: Continuum, 2000) pgs. 151-154.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

John Main costumava fazer uma distinção entre a esperança e “as esperanças”. Podemos alimentar todo tipo de esperanças para o futuro, mas, muitos desses anelos precisam ser abandonados, se quisermos experimentar a esperança pura: a virtude cristã da esperança. A esperança é mais do que um otimismo, que é uma virtude saudável, porém, não muito contagiante. Muitas vezes, ao nos depararmos com otimismo, isso tende a nos tornar pessimistas. A esperança é muito mais do que, por temperamento, olharmos o lado bom das coisas. Podemos ter esperança se, e talvez, somente se, todas as esperanças nos tiverem desapontado. A esperança pode começar a brilhar em meio a um completo desastre.  Podemos, e devemos, ter esperança no momento da morte.

A esperança não é um desejo por algo. Não se trata de sonharmos acordados com qualquer coisa que seja. Trata-se do oposto da fantasia. A esperança é uma atitude, ou um direcionamento, fundamental da consciência. Trata-se de um “voltar-se para fora de si”...  Ter esperança é descobrir que somos parte integrante de algo maior que nós mesmos e, que vivemos com a energia daquela realidade completa. A esperança é o redirecionamento do eu para fora, qualquer que seja a dificuldade de permanecer voltado para fora. O desespero é a rendição da consciência à força da introversão... A esperança é uma virtude absoluta, constante e incondicionada. Você não pode ter esperança, apenas quando as coisas estão correndo bem. Você precisa ter esperança e, de certa maneira, fazer a escolha de ser esperançoso, não importando como as coisas estejam correndo, qualquer que seja a inclinação no sentido de voltar à consciência de si, na direção do seguro recinto do ego.

A esperança é uma das virtudes resultantes da profunda prece. Na prece profunda, é que nos redirecionamos do eu para Deus, o Deus que é “outro” além de nós mesmos, porém, com quem guardamos uma semelhança mais marcante do que aquela com a nossa família ou com qualquer ser humano. A esperança é a aspiração de estar inteiramente em casa. Trata-se da mais forte aspiração de nosso ser. [...]

Para nascer, o amor requer um certo grau de esperança. Uma pessoa desesperada, não pode vislumbrar ou responder, à oportunidade de amar. Porém, o amor também, estimula magnificamente o desabrochar da esperança e, se expande de modo a cobrir a totalidade da consciência, em seus momentos mais intensos. Ser esperançoso, é estar consciente do Espírito Santo em sua vida. Ter esperança, é estar inspirado, o que significa ter uma contínua “ins-pi-ra-ção” do Espírito acontecendo em nosso interior. Viver na esperança, significa desfrutar da contínua respiração do Espírito em nossa vida. Trata-se do prolongamento daquele momento específico, em que Jesus soprou sobre seus discípulos, ao se lhes apresentar após a Ressurreição. Trata-se do sopro de Jesus, e do Espírito Santo, em nós, que é o dom.

A esperança, portanto, implica em gratidão. O dom do qual seremos eternamente gratos, é o dom da prece incessante. A repetição contínua do mantra nos conduz a essa prece, que se assemelha à alimentação contínua de energia a um sistema que tenha perdido seu equilíbrio ecológico. Reconquistamos a pureza de ser, relembramos nossa bondade fundamental, através do derramamento desse puro amor de Deus em nossos corações, o Espírito Santo que Jesus envia.

Se você já esteve nas cataratas do Niágara, se lembrará do enorme poder das águas ao se chocarem abaixo. Caso você tenha ido ao ponto em que a água cai, poderá ter notado a extraordinária imobilidade daquele ponto, quase como a do vidro. A imobilidade de nossa meditação assemelha-se àquele ponto, em que o poder infinito de Deus cai sobre nós, inundando nosso mais profundo coração, transformando e conferindo poder a nossas vidas.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã