John Main OSB - WCCM
"Crescendo em Deus" - Leitura de 23/05/2011
John Main OSB, O CAMINHO DO NÃO CONHECIMENTO (São Paulo, Ed. Vozes, 2009)
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Qual é a diferença entre a realidade e a irrealidade? Acredito que uma maneira pela qual podemos entender isso, é a de enxergar a irrealidade como o produto do desejo. Uma coisa aprendemos com a meditação, a abandonar o desejo, e aprendemos, pois sabemos que estamos convidados a viver integralmente o presente momento. A realidade exige a imobilidade e o silêncio. Esse é o compromisso que assumimos ao meditar. Tal como todos podemos descobrir por experiência própria, na imobilidade e no silêncio, aprendemos a nos aceitar assim como somos. Isso soa muito estranho aos ouvidos modernos, principalmente aos modernos cristãos, que foram educados para praticar muito esforço, ansiosamente: "Eu não deveria ser ambicioso? Que será de mim se eu for uma má pessoa, eu não deveria desejar ser melhor?"

A verdadeira tragédia de nossos tempos é que estamos tão cheios de desejos, por felicidade, por sucesso, por prosperidade, por poder, quaisquer que sejam eles, que estamos sempre nos imaginando como poderíamos ser. Tão raramente acontece de chegarmos a nos conhecer tal como somos e, de aceitarmos nossa posição atual. Mas, a sabedoria tradicional nos diz: saiba que você é e que você é como é.

Pode muito bem acontecer de sermos pecadores e, se assim for, é importante que saibamos que o somos. Muito mais importante para nós, porém, é sabermos, por experiência própria, que Deus é a base de nosso ser, e que nele estamos arraigados e fundamentados. . . Esta é a estabilidade de que todos precisamos, não do esforço e da dinâmica do desejo, mas, da estabilidade e da imobilidade do enraizamento espiritual.
Cada um de nós está convidado a aprender em nossa meditação, em nossa imobilidade em Deus, que nele temos tudo o que precisamos.

A meditação é o supremo caminho que nos leva à fé, ao comprometimento. Toda ação deve ser superficial, um mero imediatismo, caso não se baseie nesse compromisso com o que seja real, que também deve ser o aquilo seja eterno. Como cristãos, somos convidados a conhecer agora, com conhecimento pessoal e direto, o que é real e eterno e, conhecendo-o, a vivermos nossas vidas inspirados pelo amor. Esse chamado é subjacente às seguintes palavras de Jesus: "... aquele que procura a glória de quem me enviou é sincero e nele não há falsidade." (Jo 7:18). O propósito de nossa meditação é o de que nada haja de falso em nós, apenas a realidade. Apenas amor. Apenas Deus.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã