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"Pureza de Coração" - Leitura de 23/09/2012
John Main OSB de WORD MADE FLESH (Norwich: Canterbury, 2009 pp. 58-59).

Frequentemente pensamos na liberdade apenas como sendo a liberdade de podermos fazer o que bem entendermos.  Todavia, até mesmo a experiência mais rudimentar de se entrar em contato com o poder de Jesus, na meditação, nos demonstra que a liberdade não é essencialmente a capacidade de fazer, mas, a liberdade de sermos quem somos. . .


Para sermos quem somos, precisamos estar nos relacionando. Muitas vezes, padecemos ao descobrir que não podemos ser nós mesmos no isolamento.  O relacionamento fundamental na vida, é nossa relação com Deus, e a meditação é nosso compromisso com esse objetivo. A oração poderia ser descrita como sendo a atenção desinteressada que trazemos a esse relacionamento, do qual todos os relacionamentos se originam.  Assim, não pensamos em nós mesmos durante a meditação. Assistimos a Deus. Até mesmo o pensar em Deus, nos levaria a pensar em Deus em termos de nós mesmos.


[. . .] O esplendor da oração consiste em que, na atenção desinteressada, entramos na plena bondade de Deus, e nós mesmos nos tornamos bons; não através de um esforço platônico qualquer, mas simplesmente porque ingressamos na luminosidade da órbita de sua bondade. Essa é a base essencial de toda moralidade - não que tentemos imitar a Deus, mas que participemos na bondade de Deus. Os antigos Padres denominavam isso  "pureza de coração".  A usufruímos quando nosso coração está despojado de qualquer desejo, inclusive do desejo por Deus. Não deveríamos querer possuir a Deus, ou mesmo possuir sabedoria ou felicidade. O desejo em si nos impede de usufruir qualquer um deles. Deveríamos sobretudo, de forma simples e quieta, sermos quem somos e, nos regozijarmos de sermos bons, por estarmos em Deus.


Todos nós viemos de um estado em que a certa altura desfrutávamos da simplicidade, da inocência e da alegria da pura bondade.  Esse é o fundamento de uma atitude que seja verdadeiramente religiosa em relação à vida.  Podemos notar isso nos olhos sérios de uma criança que começa a descobrir maravilhada o mistério da vida, na religião, em Deus.  A meditação é muito importante para todos nós porque, por meio do poder simplificador de sua operação, nos traz de volta a essa séria abordagem à experiência religiosa.


Digo séria para significar que, na meditação, não procuramos manipular a Deus com vistas a nossos próprios objetivos.  Não condescendemos para envolvê-Lo em nossas vidas.  Estamos, sobretudo, descobrindo a maravilha de Seu envolvimento em nossas vidas.  Fazemos isso por meio da repetição do mantra, alcançando a quietude e o silêncio, indo além do desejo, e alcançando a pureza de coração.  Estaremos, então, simplesmente abertos, ainda que isso demande a plenitude de nosso ser, à realidade, em sua mais pura e mais íntima auto-revelação.  Estaremos abertos à presença de Deus, em nosso interior e à nossa volta, como sendo o poder que nos sustenta por meio do amor. 

 

 

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã