Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
“Preparação para o Nascimento " - Leitura de 24/01/2010
John Main OSB, THE PRESENT CHRIST (NY: Crossroad, 1991), pgs. 39-40.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Um dos temores que encontro mais frequentemente, nas pessoas que começam a meditar como meio de peregrinação diária, é o de que essa jornada para seu próprio coração, para esse espaço infinito, possa levá-las ao isolamento, longe do conforto e da familiaridade do conhecido, para o desconhecido. Este é um temor inicial compreensível. Ao dizermos “deixar para trás o que nos é familiar”, isso frequentemente significa “deixar para trás a superficialidade” e, isso pode criar uma sensação de vazio, à medida que nos expomos a uma maior profundidade e a uma realidade mais substancial. Levamos algum tempo, para nos adaptar a essa sensação de pertencer a algo novo, de um novo parentesco, que parece colocar todos os nossos relacionamentos em uma nova ordem. A nossa “volta ao lar”, pode nos dar a sensação de um “não termos um lar”.

Com o tempo, compreendemos que, nessa nova experiência de inocência, de deleite no dom da vida, estamos deixando para trás a infantilidade e, adentrando a maturidade completa que Jesus desfruta no Pai, a totalidade de seu amor, que entra e se expande em nossos corações, no Espírito. Não será apenas agora, no início de nossa peregrinação, que precisaremos do amor humano e, da inspiração de outros. Mas, é agora, ao encontrarmos um largo horizonte que nos é pouco familiar, que sentimos uma carência especial, da energia de comunidade com outros. Abrirmo-nos a eles, expande, por sua vez, nossa sensibilidade a suas carências. E, assim que o mantra nos conduza para mais longe de nosso auto-centramento, nos voltaremos mais generosamente para os outros, recebendo, em troca, seu apoio. Na verdade, nosso amor pelos outros, é a única maneira verdadeiramente cristã de medirmos nosso progresso na peregrinação da prece.

O compromisso que, a princípio, essa jornada nos exige, é pouco familiar. Demanda fé, talvez uma certa negligência para começar. Porém, uma vez que tenhamos começado, será a natureza de Deus, a natureza do amor, que nos fará voar, ensinando-nos, por experiência própria, que nosso compromisso é com a realidade, que nossa disciplina é a prancha que nos impulsiona à liberdade. Só podemos provar que é infundado o temor de que a jornada seja mais de “partida”, do que de “chegada”, por experiência própria. Esta é uma jornada em que, afinal, só a experiência conta. As palavras ou textos de outras pessoas só podem adicionar alguma luz à realidade completamente verdadeira, completamente presente e, completamente pessoal, que vive em seu coração e, em meu coração. Milagrosamente, podemos adentrar essa experiência juntos e, descobrirmos a comunhão, exatamente onde a comunicação parecia falhar.

E, a jornada para nosso próprio coração é uma jornada para todos os corações. E, sob o primeiro raio de luz do verdadeiro, compreendemos que essa é a comunhão, que é o reino que Jesus nasceu para estabelecer e, no qual, ele novamente nasce em todo coração humano, para que compreenda.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã