John Main OSB - WCCM
"Um Par de Palavras do Passado" - Leitura de 24/10/2010
John Main OSB, THE HEART OF CREATION (New York: Continuum, 1998).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Os primeiros Padres monásticos logo descobriram que um dos obstáculos que precisam ser vencidos por todo homem e mulher que reza, é o que eles descreviam como acídia.  Trata-se de um conceito psicológico razoavelmente complexo, mas que inclui as noções de tédio, de aridez, de insatisfação, um sentimento de desesperança, de não fazer progresso.  Creio que todos nós estamos, em alguma medida, familiarizados com essas manifestações do ego.  De fato, o conceito de acídia é um conceito particularmente moderno.  Em nossa sociedade, as pessoas se entediam muito facilmente.  O tédio nos inquieta, e nos torna inconsistentes em nossos comprometimentos, a todos nós.  Assim como os primeiros Padres costumavam ir para Alexandria, de vez em quando, para passear em busca de um pouco de distração, nós também, em nossa sociedade secular, comumente estamos em busca de distrações.  Aqueles que, dentre nós, descobriram o caminho da meditação, sentem com frequência uma atração em sentido contrário, no sentido de libertar nossos pescoços da canga, de modo a podermos descansar um pouco.  Todos buscamos uma diversão, porque estamos cansados da mesmice do comprometimento diário com uma peregrinação que nos testa com longos períodos de monotonia.

Recentemente, um jovem veio a mim para me perguntar: “Como você aguenta olhar através de sua janela, para todos os dias ver as mesmas coisas?  Isso não te enlouquece?”  Talvez a verdadeira pergunta devesse ser: “Como é que sempre podemos ver tantas coisas, olhando todos os dias através da mesma janela?”  Os primeiros Padres sabiam que o tédio surge do desejo, do desejo de satisfação ou de fama, de algo novo, de uma modificação no ambiente ou na atividade, de diferentes relacionamentos, de um novo brinquedo, qualquer que ele seja.

A prece pura minimiza o desejo.  Na quietude da prece, cada vez mais quieta, quanto mais nos aproximamos da Fonte de tudo o que existe, de tudo o que pode existir, somos invadidos por tanto maravilhamento, que não sobra mais lugar para o desejo.  Não se trata tanto de que tenhamos transcendido o desejo, mas, na verdade, de que simplesmente não há mais lugar em nós para esse tipo de desejo.  Todo o nosso espaço está sendo preenchido com a maravilha de Deus.  A atenção, que no desejo se dispersa, é reunida e absorvida em Deus. [....]

Ao meditar, abandonamos o desejo de controlar, de possuir, de dominar.  Em lugar disso, buscamos apenas ser quem somos, sendo a pessoa que somos, estamos abertos para o Deus que é.  Como resultado dessa abertura, é que somos preenchidos com o prodígio, e com o poder e a energia de Deus, que é o poder de ser, e a energia de amar.  [E] quando amamos, é impossível nos entediarmos.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã