Leitura da Semana :: WCCM
 

"Caríssimos Amigos" - Leitura de 25/11/2012
Laurence Freeman OSB, Christian Meditation Newsletter,
Vol 34, No. 3, Oct 2010, pg.4.

 

O genuinamente outro é essencial para a mente que ama e que é mística. A característica do outro, a alteridade, estimula a mente a abandonar suas fixações e a se expandir além do si mesmo, alargando a visão que temos do mundo, e de nós mesmos nele. Deparando-nos com o outro, precisamos desistir da fama que as dramatiza. Isto é um pouco daquilo que eu entendo por "mente católica", porque ela se deparou com o outro que não podemos descrever ou controlar. Intuitivamente, a mente católica procura a inclusão em vez da rejeição, até mesmo quando ela se depara com um abismo de diferenças no outro, que a faz recuar e enxergar erro e ameaça. [...]

Só nos tornamos católicos, nesse sentido pleno e abarcante, por meio do crescimento, que é uma passagem através dos estágios da cura e da integração. Assim, nenhum de nós é católico ainda, nem mesmo o papa. Há um caminho a percorrer. Todavia, a alternativa para o processo do perdão é a mente sectária que objetifica o outro e, por meio do medo e do prazer do poder, nega a sua pura subjetividade, sua alteridade e sua capacidade de ser. Social e historicamente, fizemos isso com os imigrantes, com os judeus, com os homossexuais e com outras minorias que se tornaram alvos fáceis, mas, também, com metade da raça humana, por meio da violenta e patriarcal exclusão das mulheres.

Ao fazer essas coisas, estamos nos excluindo do todo, e portanto, do sagrado Uno. Deus é sempre sujeito, o "grande Eu Sou", refratário às nossas tentativas de objetificação e de manipulação. Encontramo-nos com essa pura emanação do ser em nosso próprio silêncio profundo, não em ideologias ou abstrações, mas de maneiras diversas, basicamente entre nós e na beleza e na maravilha da criação, o oceano do ser, de sofrimento e bem-aventurança, em que nós e até mesmo o criador estivemos nadando.

O perdão, a reconciliação, a mente católica..., todos eles requerem contemplação, porque o perdão requer profundidade e, profundidade requer silêncio. Caso consideremos a contemplação uma espécie de luxo, relaxamento, ou emprego do tempo livre, estaremos perdendo completamente o significado do desenvolvimento humano, como a única maneira essencial que temos de glorificar a Deus. Como poderemos "glorificar a Deus" pelo que dissermos ou fizermos? Só poderemos refletir de volta para Deus, a glória divina potencialmente armazenada em nosso próprio ser. São João da Cruz nos diz que a alma é como um pacote que não foi aberto. A única maneira de glorificarmos a Deus é desempacotando-o: em última análise, através da plena participação na vida e na visão de Deus. John Main disse que meditamos para que nos tornemos a pessoa que Deus sabe sermos. Torna-te uno com quem dá a dádiva, por meio da devolução da dádiva ao doador, para então descobrires a dádiva que ela contém.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.


 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã