John Main OSB - WCCM
"Caríssimos Amigos " - Leitura de 19/09/2011
Dom Laurence Freeman OSB: Newsletter da WCCM, Vol. 35, No. 2, Julho 2011, pg 4-5.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Podemos deixar para trás nossas preocupações e ansiedades, tal como Jesus nos aconselha em seus ensinamentos sobre a prece.  Essas ansiedades são múltiplas, as falhas diárias que passam com uma boa noite de sono, as perdas que ainda estão horrivelmente presentes quando acordamos, os padrões mais profundos de nossa personalidade com suas raízes lançadas na memória pré-consciente.  A sabedoria e o perdão começam a trabalhar, tão logo recuamos para parar de culpar o mundo, ou nossos pais, ou inimigos, e nos damos conta de que somos nós o problema.  Dar o primeiro passo, em um caminho espiritual maduro, pode levar anos.  No entanto, uma vez que o fazemos, somos capazes de discernir os diferentes níveis de sofrimento e insatisfação, que precisamos trabalhar, aqueles que não conseguimos resolver sozinhos, aqueles para os quais precisamos procurar ajuda, e aqueles que simplesmente precisamos transcender.


A meditação acelera e torna mais agudo esse discernimento.  Em todas as tradições vemos a prece profunda, silente e não conceitual, ocupar o núcleo da fé, e abrir a porta da união com Deus.  O sufis falam de “dhikr”, ou a evocação de Deus, a que chegamos através da repetição do nome de Deus.  Diz-se que, em sua simplicidade, contém todas as formas de prece “libertando-nos de toda confusão e desconforto”.  O Corão nos lembra que “nenhum objeto merece ser cultuado, a não ser Deus” e, portanto, não há nenhum outro objetivo supremo, ou real existência.  Ao compreendermos isso, também compreendemos porque não deveríamos “dar nenhum valor a qualquer coisa que tenhamos perdido. . .mas, jamais perdermos nosso tempo”.  O mandamento de Jesus de amor (a Deus, ao próximo, e a si mesmo), e o caráter de urgência de seu ensinamento, se traduz de maneira semelhante na consciência plena com que prestamos atenção absoluta em Deus.  Poderemos então, voluntariamente vender tudo o que temos, na pura alegria da descoberta do tesouro do Reino, enterrado em nosso coração.


No entanto, as preocupações da vida facilmente nos assoberbam.  Elas podem nos tornar autocentrados, esquecidos, insensíveis, ignorantes e estúpidos.  Esquecemos que Deus existe.  Ignoramos as necessidades de nosso próximo.  Perdemos a capacidade de nos maravilharmos.  Caminhamos sem consciência da graça.  A ascese (o trabalho espiritual) é a cura para a exaustão.  Ela nos ensina a lidar com os problemas, e a viver em liberdade, apesar deles.  Ela dissolve a dureza do coração, na medida em que nos tornamos mais sensíveis e responsivos, mais abertos à beleza do mundo, e às necessidades alheias, inclusive daqueles que que com ganância se apoderam antes de pedir.  A ascese, assim como nossa meditação duas vezes ao dia, transforma a energia bloqueada em nosso ego, bem como os padrões negativos de pensamento e de comportamento.


Sabiamente, passamos a aceitar que, nessa vida de preocupações, jamais teremos tudo o que desejamos.  Mas, então, desponta a libertação, na medida em que aceitamos que o verdadeiro problema não reside no fato de não termos, e sim no próprio desejo.



Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã