Dom John Main, OSB - WCCM
"Tradição" - Leitura de 26/10/2008
LIGHT WITHIN (New York, Crossroad: 1989) págs 112-113
Tradução de Roldano Giuntoli
 

O verdadeiro mestre é aquele que é uno com seu ensinamento e, ensina cada vez mais simplesmente sendo ele mesmo. Assim podemos falar acerca da tradição cristã como sendo algo que precisa ser autenticado na esfera pessoal, pois só podemos comunicar a tradição, assim como só podemos revelar a pessoa de Jesus... a partir de um encontro pessoal. A tradição precisa se tornar una com nossa experiência pessoal. Este é o poder de sua transmissão e a verificação pessoal tem sido o critério dos mestres cristãos, assim como São Paulo, desde os primórdios. “Não vim,” disse ele, “para lhes falar nos termos da filosofia, ou da sabedoria humana, mas, no poder do Espírito.” O poder do Espírito é amor e, essa é a razão pela qual Dom John continuava dizendo que a tradição se torna una com a experiência pessoal, no momento do amor, que é o momento da prece.

Os mosteiros são sempre pontos focais da tradição, pois um mosteiro é um local dedicado prioritariamente ao momento do amor. Em um certo sentido, um mosteiro é, dessa maneira, atemporal, necessitando isolamento do mundo, de modo a viver o amor que está além do espaço e do tempo. A verdadeira retirada do mundo, não se trata de uma rejeição ou, de uma fuga, mas, de um avanço em direção a uma nova dimensão de tempo e de espaço, que permite que cada monge viva o momento de Cristo e, descubra que aquele momento de amor contém o tempo, todos os tempos.

Em seu papel e significado social, o monaquismo é, essencialmente, desprovido de classe e de tempo, simbolizado pelos costumes da vida monástica que se transmitem ao longo dos séculos. Porém, também, é indubitavelmente contemporâneo. Sempre que o monaquismo se torna um museu de ritos e costumes, deixa de ser atemporal e, se torna fora de moda e, portanto, fora de sintonia. Sempre que verdadeiramente atemporal, ele é contemporâneo da maneira mais profética. Isso porque, na vida monástica, a dimensão do tempo se mede pelos seus períodos de prece. Aquilo que, externamente, pode parecer uma rotina mecânica e enfadonha, internamente é conhecido como uma expansão da consciência...

O contínuo retorno àqueles períodos de prece, cria a gramática de cada dia, a estrutura de uma vida. Em todo período de prece, o tempo e a eternidade se encontram. Em nossa consciência comum, falível e mortal, passamos a nos tornar abertos à consciência de Jesus que nos habita. O encontro de nossa consciência com a dele, dispara o momento de amor e, crescentemente, torna-se evidente que isso ocorre não apenas nos períodos de prece, mas, está encarnado em nós, o tempo todo. [E] assim... gradualmente cresce a consciência da Presença contínua, prece incessante.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã