John Main OSB - WCCM
"Os Dois Silêncios de Deus" - Leitura de 27/02/2011
John Main OSB, O CAMINHO DO NÃO CONHECIMENTO (São Paulo: Vozes,2009).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Vivemos em um mundo bem pouco silente. Vivemos em um mundo tão bombardeado de ruídos de fundo e de ruídos de primeiro plano, que ouvimos todos eles de uma só vez, sem escutar nada. No entanto, cada um de nós é chamado ao estado de prece, de pura atenção, de expansão do espírito no silêncio eterno de Deus.

[Todavia], um segundo tipo de silêncio, em que nos parece que Deus retirou sua presença, é também uma realidade. Trata-se de um tipo em que percebemos não ter a sensação de seu ser, senão apenas uma sensação de sua mais completa retirada de nosso mundo, de nossa consciência...

É verdade que, quando acontece de a termos, é maravilhosa a sensação de que a infinitude de Deus nos preenche com uma calma infinita, uma profunda sensação de maravilhamento.

Trata-se de um dom maravilhoso, ainda que não seja algo que devamos buscar, ou tentar possuir, ou fabricar. À medida que amadurecemos, uma das coisas que aprendemos na meditação, ao nos adiantarmos no caminho, é a de nos contentarmos com qualquer um desses dois tipos de silêncio, com a sensação infinita de sua presença, bem como com a sensação finita de sua ausência. De início, para nós é mais difícil, porque quando começamos a meditar, não aprendemos suficiente desapego. Não atingimos o estágio em que podemos estar igualmente contentes com a ausência, assim como com a presença e, de todo modo, sempre procuramos fazer com que nossa meditação nos satisfaça. Sempre procuramos provar para nós mesmos que ela funciona, que agora nós conhecemos a Deus, que agora aprendemos a viver em sua presença. Todavia, o propósito do segundo tipo de silêncio, o da sua ausência, é o de nos purificar, de modo a aprendermos a amar a Deus, sem egoísmo, assim como ele nos ama (e a si mesmo). Ele nos ensina a sermos fortes no amor, fortes na fidelidade e, a asseverarmos de que amamos a Deus por ele mesmo, e nele, e não apenas por qualquer manifestação de sua presença que nos satisfaça. [. . . .]

Em qualquer nível, de modo a amadurecer, precisamos crescer através de todas as dificuldades produzidas por meio da mudança e da perda, todos os sentimentos, emoções e pensamentos gerados desse modo, e aprender a amar a Deus de maneira simples e forte. Uma parte da disciplina da repetição do mantra é a de nos ensinar a permanecer nesse amor, aconteça o que acontecer. Nada abalará nossa convicção de que Deus é, de que Deus é Amor, e de que seu amor habita nossos corações. Caso estejamos engajados na jornada, então essa sensação de ausência, na verdade, aprofundará e fortalecerá nossa convicção da existência de Deus, tornando-o mais familiar, ensinando-nos a conhecê-lo mais plenamente. Nessa qualidade de fé, tornamo-nos indiferentes à sensação de sua presença próxima, ou à sensação de sua ausência. O fato de percebermos ou sentirmos, que ele está próximo ou distante, não afeta a disciplina que trazemos à prática da meditação, pois nossa convicção não se baseia em sentimento, mas no fato: o fato de que ele é Deus todo misericordioso, todo amoroso e todo compassivo. Os dois silêncios são ambos igualmente poderosos ao nos ensinar: o silêncio das revelações nos preenche com maravilhamento, e o silêncio da ausência nos ensina fidelidade. O Verbo está presente em ambos.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã