Dom Laurence Freeman, OSB - WCCM
"Padrões e Identidades" - Leitura de 27/09/2009
Perder para Encontrar (Editora Vozes, Petrópolis – RJ, 2008, pgs. 107-110).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A fé não faz sentido, não faz a realidade, a menos que se repita, a menos que persevere. No que é que perseveramos? E, como é que a simples perseverança, produz uma expansão da profundidade da vida, da consciência e do ser? A fé é a perseverança na verdadeira identidade que é nossa, na identidade duradoura, que apenas o comprometimento pode revelar. A menos que estejamos comprometidos, não teremos uma identidade constante. O ego é o eu, antes de ter encontrado comprometimento com algo além de si mesmo...

O patamar em que nos comprometemos, é o nível no qual nossa identidade é realizada.  Caso nos comprometamos apenas com coisas no nível do egoísmo, não realizaremos nossa identidade além do nível das máscaras e dos estados de espírito do ego, que se alteram. Caso estejamos comprometidos com os valores, e assim com os desafios, do que é mais profundo do que o ego, então, uma identidade começa a emergir, no patamar do verdadeiro eu. Quanto mais profundamente estivermos comprometidos, quanto mais fiéis nós formos, mais se modificará a forma de nossa identidade. Até mesmo nossa natureza se modifica com a nossa meditação diária, ao longo dos anos. Tornamo-no cada vez menos preocupados com as modificações que nos ocorrem, porque começa a desaparecer nossa própria preocupação. Sabemos estar mudando, e sabemos disso através dos outros, pois nos descobrimos mais apaixonados. Nos supreendemos agindo menos de acordo com padrões estabelecidos do ego, e mais de acordo com a forma do verdadeiro eu, que se expande constantemente, e por isso é indefinível. À medida que desenvolvemos a identidade exclusiva e infinitamente merecedora de amor, que nos foi conferida para que a encontrássemos e realizássemos, nos descobrimos tornando-nos a pessoa que Deus escolheu antes do início do mundo.

Isso se assemelha a uma cachoeira. Alguém te diz: “Venha ver esta bela cachoeira”, você vai e a vê, e você vê um poder incrível, uma incomensurável quantidade de água, cascateando montanha abaixo. Trata-se da cachoeira que eles queriam que visse, mas ela jamais poderá ser a mesma cachoeira. Ela se modifica a cada momento. Ela está sempre se modificando, é sempre nova, sempre caindo de si mesma, mesmo assim, enraizada em sua própria identidade. Na fé, a consciência humana se dá conta disso, porque a fé nos leva à visão do que somos realmente, até mesmo à medida em que nos tornamos o que somos. Sem a fé, enxergamos apenas os padrões estabelecidos que, de fato, estão em processo de deterioração. Por meio da fé enxergamos padrões que evoluem e que estão em expansão. Enxergamos a alma, e enxergamos que cada pessoa é um fluxo contínuo de luz. A identidade de cada pessoa, infinitamente merecedora de amor, é energia em um constante estado de transformação...

Na meditação encontramos essa energia em nossa própria fonte. Bebemos de nossos próprios poços. Contudo, bebemos diretamente do veio que alimenta o poço. Bebemos à luz do ser, a partir da Fonte da qual flui a luz, o Espírito divino, a eterna fonte de água viva. Quanto mais profundamente bebermos, quanto mais fiéis nós formos, tanto mais nos tornaremos em luz.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã