John Main OSB - WCCM
"Deixar para trás as distrações " - Leitura de 21/06/2010
O Momento de Cristo (São Paulo, Paulus, 1992).
Tradução de Roldano Giuntoli
 

A meditação está relacionada. . . à imobilidade.  Se assemelha à imobilidade das águas de um lago.  As distrações que temos quando começamos a meditar, são apenas ondas e correntezas, e redemoinhos que turvam as águas.  Todavia, quando você começa a meditar, e a imobilidade acontece, as profundezas da água se tornam cada vez mais mais cristalinas.  A experiência da meditação, a experiência para a qual cada um de nós é convocado, e da qual todos nós somos capazes, é a de descobrirmos aquelas profundezas dentro de nós, tal qual as águas de um lago profundo, águas de uma profundidade infinita.  O que é maravilhoso acerca desse lago, é que, quando ele está imóvel e o sol o atinge, cada gota de água de sua infinita profundeza, se assemelha a uma gota de cristal animada com a luz dos sol.  Isso é precisamente ao que somos chamados na meditação: descobrir as profundezas de nosso próprio espírito, e a capacidade de nosso próprio espírito de estar em completa harmonia com o Deus que nos diz: “Eu sou a luz do mundo”.

Não se engane nisso.  Conforme já lhe disse com verdade absoluta, a meditação é a própria simplicidade.  Todavia, você precisa de seriedade em seu compromisso com esta profunda harmonia no interior de seu próprio espírito: uma harmonia que lhe revela o espírito de Deus em seu interior.  Devemos ser sérios. [. . .]

Ouça as palavras de São Paulo: “Sabei que quem semeia com parcimônia, com parcimônia também colherá, e que semeia com larguesa, com larguesa também colherá”.  Em nosso próprio espírito, existe uma maravilhosa colheita para todos nós.  Primeiramente, precisamos ser generosos, separando aquela meia hora para a meditação, toda manhã e toda tardinha. . . .  Depois, precisa-se de uma grande generosidade no próprio período da meditação, para a repetição de sua palavra do início ao fim.  É tão frequente que queiramos seguir nossos próprios pensamentos, nosso próprio discernimento, nossos próprios sentimentos religiosos.  Contudo, devemos aprender a deixar tudo para trás, e a buscar o espírito em nossos próprios corações.

Finalmente, há a generosidade necessária para colocarmos toda a nossa vida em harmonia com o espírito em nosso coração: para nos certificarmos de que não estamos acumulando as distrações que surgem na vida de todos nós.  Todos nós temos preocupações, coisas que receamos, responsabilidades.  Por isso, devemos colocar nossa vida toda em harmonia com essa busca, essa peregrinação. . . ao nosso próprio coração.  Trata-se de uma peregrinação que nos conduz a um vigor do espírito, e a uma clareza do coração.  A meditação não é voltarmos nossas costas à nossa vida ou às nossas responsabilidades.  Muito ao contrário, na meditação buscamos nos abrir completamente à dádiva da vida que nos foi dada.  Nada menos que a dádiva da vida eterna, a vida eterna para a qual somos convidados a nos abrirmos agora.[. . .]

Agora, permita-me relembrar: Sente-se. . . .  Sente-se confortavelmente com a coluna ereta.  Feche os olhos, e muito pacífica e serenamente, comece a repetir sua palavra em seu coração, silenciosamente.  Esqueça-se do tempo.  [Tudo o que você tem de fazer é] ser. . . . Estar em paz, estar imóvel, imóvel no corpo e no espírito, abrir-se à vida e ao Senhor da vida.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã