Dom John Main, OSB - WCCM
"O Aniversário de John Main" - Leitura de 28/12/2008
Laurence Freeman OSB, WCCM International Newsletter, Inverno de 1996.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Talvez, um dos dilemas que nos deixam perplexos, quanto ao Cristianismo tradicional de hoje, é o significado da comunicação do evangelho, de uma maneira não competitiva, dentro do contexto das relações com outras religiões... Para o cristão exclusivista, isto é um contrasenso. No entanto, é o que acontece por toda parte, nos dias de hoje. E, talvez... o Espírito esteja procurando nos ensinar algo.  Talvez o Cristianismo esteja aprendendo que, caso seja realmente universal, deve se encontrar e se reconhecer, em todas as formas da experiência espiritual humana e, em todo tipo de evento espiritual. [...]

Atualmente, chegamos a uma nova era do diálogo religioso, da tolerância, da reverência mútua e de apoio uns aos outros, que os que nos antecederam jamais teriam imaginado. No entanto, isso é correto para os cristãos, e essa correção é atestada, por ser tão compatível com a personalidade e o exemplo de Jesus.  Ele não rejeitava ninguém, tolerava a todos, e enxergava o mistério de Deus em todas as pessoas, e na natureza. Ele compartilhava refeições com aqueles que devia ter desprezado; ele conversava com aqueles que devia ter evitado. Ele era tão aberto aos outros, quanto era a Deus. [...]

Em Jesus, há uma intersecção entre o tempo e a eternidade: o Verbo se transforma em palavras humanas.  Porém, a intersecção se dá na pobreza em espírito humana. A pobreza é o ponto “em que o mistério infinito se encontra com a existência concreta”. A pobreza, não é apenas a ausência de coisas, mas a consciência da nossa necessidade de outras pessoas, de Deus. A carência humana é universal. Os ricos e poderosos, assim como os mais pobres e marginalizados, todos são igualmente carentes.

A carência é apenas a forte emoção que surge como resposta ao fato da interdependência. Não estamos separados uns dos outros, ou de Deus. A sabedoria é o reconhecimento de nossa interrelatividade. A compaixão é a prática de nossa conectividade. Na meditação, mergulhamos num nível de realidade que é mais profundo do que o de nossas mentes superficiais, ego-dirigidas, que tão frequentemente caem na rede da ilusão de nossa independência e isolamento. O trabalho diário da meditação é o de nos desembaraçarmos dessa rede, que também é o novo padrão da prática da presença de Deus na vida comum, que é criada pela meditação diária.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã