Dom John Main, OSB - WCCM
"Morte e Ressurreição" - Leitura de 29/11/2009
MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pgs. 68-69.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

São Bento dizia a seus monges: “Mantenham-se sempre atentos à morte”. Não falamos muito sobre a morte no mundo moderno. Porém, toda a tradição cristã nos diz que, caso nos tornássemos sábios, deveríamos aprender a lição de que aqui não temos “nenhuma cidade que nos prende”. Devemos ouvir o que, tanto os sábios do passado, como os do presente, nos dizem: para podermos nos concentrar na vida, devemos nos concentrar na morte... É difícil, para a vida mundana, entender o por quê de se falar da morte. Na verdade, a principal fantasia dos interesses mundanos, opera a partir de um ponto de vista completamente oposto: não a sabedoria de nossa propria mortalidade, mas, a pura fantasia de que somos imortais, de que estamos além da fraqueza física.

Contudo, a sabedoria da tradição representada por São Bento, está no fato de que a consciência de nossa fraqueza física nos permite enxergar também nossa própria fragilidade espiritual. Existe uma consciência profunda em todos nós, tão profunda que, freqüentemente, permanece enterrada na maior parte do tempo, de que devemos estabelecer contato com a integralidade da vida e, com a fonte da vida. Devemos estabelecer contato com o poder de Deus e, de alguma maneira, abrir esse nosso frágil vaso terreno ao amor eterno de Deus, o amor que não pode ser sufocado.

A Meditação é uma via de poder, pois é o meio de entendermos nossa própria mortalidade. É o meio de nos concentrarmos em nossa própria morte. Ela consegue isso, por ser uma via que vai além de nossa própria mortalidade. É uma via que vai, além de nossa própria morte, até a ressurreição, para uma nova e eterna vida, a vida que nasce de nossa união com Deus.

A essência do Evangelho cristão é a de que somos convidados para essa experiência agora, hoje. Todos nós somos convidados a morrer para a nossa própria auto-importância, o nosso próprio egoísmo, nossas próprias limitações. Somos convidados a morrer para nossa própria exclusividade. Somos convidados a tudo isso, porque Jesus morreu antes de nós e, ressucitou dos mortos.

Nosso convite a morrer, também é o de nascer para a nova vida, para a comunidade, para a comunhão, para uma vida plena, sem medos. Suponho que seria difícil estabelecer o que é que as pessoas mais temem, a morte ou a ressurreição. Porém, na meditação perdemos nosso medo, pois compreendemos que a morte é morte do medo e, ressurreição é nascer para a nova vida.

Cada vez que nos sentamos para meditar, nos conectamos com esse eixo de morte e ressurreição. Isso se dá, pois em nossa meditação vamos além de nossa própria vida e, de todas as limitações de nossa vida, em direção ao mistério de Deus. Descobrimos, cada um de nós a partir de nossa própria experiência, que o mistério de Deus é o mistério do amor, amor infinito, amor que expulsa todos os medos.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã