Dom John Main, OSB - WCCM
"Encontro com o Outro" - Leitura de 29/06/2008
Light Within: The inner Path of Meditation (New York: Crossroad, 1989) pgs. 65-67.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Todo relacionamento de nossa vida, toda vez que nos voltamos na direção de outra pessoa, constitui-se em um cada vez mais profundo encontro com o Outro, à imagem do qual somos feitos. Sempre que nos permitimos vivenciar isso, o que fazemos quando meditamos e quando amamos, descobrimos que nosso medo só pode ser definitivamente banido através do próprio encontro e, que quanto mais profundo for o encontro, a cada vez, tanto menor será o medo que sobrevive a ele... Até que tenhamos a coragem de encarar e encontrar o outro, não nos teremos encontrado, ainda. Até lá, seremos sempre outro, para nós mesmos. É este o estado do egoísmo, o de sermos um estrangeiro para nós mesmos. Nesse estado, todos os demais estão em oposição a nós mesmos, opostos a nós. Vivenciamos a tristeza, a desconfiança e a violência. O primeiro passo para sair desse inferno, é o de termos a coragem de nos encontrarmos como nós mesmos. Nenhum de nós conseguiria fazer isso, através de nossos próprios recursos interiores. Não fosse pela intercessão do amor de Deus, estaríamos para sempre não redimidos. O destino que nos conduziu à meditação e, ao entendimento das relações de amor, que são a encarnação de nosso encontro com Deus, é o sinal de seu amor redentor em nossas vidas.

Ao meditarmos, aprendemos a deixar para trás todas as imagens que fazemos de nós mesmos, pois essas imagens são estranhas ao nosso verdadeiro ser. São como rótulos imprecisos. Essa nossa auto-análise que rotula, que pensa ser tão esperta, nos separa do conhecimento do verdadeiro ser e do redentor encontro com a realidade. Nos aprisionamos na consciência do si mesmo. Só precisamos compreender que fomos libertados e que a perfeita liberdade se alcança nas profundezas de nosso espírito, na liberdade do Cristo, a liberdade de seu amor puro. Se apenas pudermos aprender a sermos simples, a aceitar o presente que foi livremente doado e a sermos fiéis a esse dom, poderemos nos voltar para essa realidade. Se aprendermos a repetir o mantra, ele nos ensina como amar e, nos ensinará como nos expandirmos para além das imagens de nós mesmos, para a realidade de nosso ser, que é uno com a realidade do Cristo.  Nos ensinará a sermos nós mesmos e a conhecer a felicidade de estar em comunhão.

Medite por Trinta Minutos
Sente-se confortavelmente, mas com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado mas atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a como quatro silabas de igual duração Ma-ra-na-tha, em ritmo lento. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada - nem de ordem espiritual nem de qualquer outra ordem. Se pensamentos e imagens afluírem à mente, trate-os como distrações e simplesmente retorne à repetição da palavra.

Comunidade Mundial de Meditação Cristã