John Main OSB - WCCM
"O medo da morte" - Leitura de 30/01/2011
Laurence Freeman, OSB, Perder para Encontrar (São Paulo Editora Vozes,2008), pp. 129-131.
Tradução de Roldano Giuntoli
 

Por meio da meditação… nos colocamos diante da morte todos os dias. E se estamos diante da morte todos os dias, se nos permitimos morrer um pouco mais a cada dia, então, a experiência da morte nos permitirá viver cada dia mais plenamente. A morte encarada com fé, nos conduz para além do medo da morte, e nos permite viver cada dia com a esperança certa de vida eterna. Esta esperança é a razão pela qual a meditação é um meio de vida. Porque é um meio de morrer. A morte cancela nosso senso de futuro e, assim, nos força a nos concentrarmos completamente no momento presente. Para onde mais poderíamos ir? Quando verdadeiramente encaramos a morte, estamos totalmente no momento presente. Entramos na eternidade antes de morrermos, se formos capazes de encarar a morte com esta atenção sem evasivas. Mas, sempre tentamos escapar do momento presente.

Comumente nos evadimos do presente, seja vivendo no passado, seja criando um mundo de fantasia. Mas, quando estamos meditando, ao repetirmos o mantra, fecham-se estas duas opções, ou vias de escape. Não há para onde ir, a não ser estar aqui. O mantra aponta para uma direção, para o centro. É um caminho estreito, mas, é o caminho da verdade. À medida que seguimos o caminho do mantra, ao repetí-lo com coragem e humildade, ele nos conduz por um caminho onde morre tudo o que, em nós, nos impediria de alcançar a plenitude da vida. Morremos a cada dia na fé, e esta é a preparação suprema para a nossa hora da morte. Mas, como um caminho de morte na fé, ele inevitavelmente nos leva ao confronto com duas poderosas forças, para o qual devemos estar preparados. São elas as forças do medo e da raiva. [...]

[Mas] a raiva, e o medo do qual ela se origina, são tudo o que a meditação não é. A raiva mais profunda vem do medo mais profundo: o da morte. Mas, também vem de vários tipos de causas secundárias, de tudo que constitui nossa história psicológica. Precisamos estar alertas quando meditamos, e à medida que nos purificamos dessa raiva, que não é nossa preocupação imediata, descobrir de onde ela vem. Tudo o que é realmente importante é que a estamos eliminando... O que é importante é que o amor ativo na fé do mantra elimine a raiva do coração. Começaremos a meditar com uma grande vantagem se, com uma fé desenvolvida, entendermos que a raiva é eliminada pelo poder de Cristo... Cristo com o poder do Espírito pode eliminar a raiva, porque ele é aquele que superou o primevo medo da morte, e que agora tem o poder de nos libertar deste medo... [Nas palavras de 1 João 4,16-18]: " Deus é amor: aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele. Nisto consiste a perfeição do amor em nós, que tenhamos plena confiança no dia do Julgamento, porque tal como ele é, também somos nós neste mundo. Não há temor no amor: ao contrário: o perfeito amor lança fora o temor..."

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxado, mas, atento. Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 
 
Comunidade Mundial de Meditação Cristã