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Segunda-feira da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Atualmente existe um razoável consenso acerca de haver algo fundamentalmente errado na maneira como passamos a fazer as coisas. A distância entre pobres e ricos, como funciona a democracia, como se pratica a medicina, os objetivos da educação, o uso da tecnologia e dos meios de comunicação, a cultura corporativa e, o papel que a religião desempenha na sociedade. A disfuncionalidade em todas essas áreas parece ser mais forte do que as pessoas que tentam mudar as coisas e, assim, o estresse alcança níveis epidêmicos.

Falta algo. Chamemos de “coração”. Quando o Mid-Staffordshire National Health Trust faliu há alguns anos, atendia a todas as metas estabelecidas pelo governo. Infelizmente fazia isso às custas de um número inaceitável (há controvérsias quanto aos números) de óbitos que poderiam ter sido evitados. Após o inquérito, perguntaram a um assessor estadounidense se ele poderia identificar uma causa essencial daquele desastre institucional. Sua resposta foi “uma falta de amor”.

A falta de coração na vida moderna tem muitas consequências. Até que entendamos isso continuaremos a sentir de forma esmagadora um desamparo e um senso de desastre iminente. Na verdade muitos esperam que um desastre generalizado venha a acontecer de modo a permitir que tudo recomece do zero. Coração, todavia, não significa apenas emoção. Racistas não tem coração, mas são motivados por forte emoção. Os mercados financeiros são cheios de emoção, mas frequentemente sem coração.

O “Coração”é um símbolo universal de inteireza, de justiça e de ternura. Se um político fala com integridade das verdades como ele as vê, ele exibe essa qualidade. Atualmente a falta de coração na política e nos negócios faz com que nos sintamos feridos por essa falta de coração. Somos de uma geração de corações feridos. Quando a solução para assassinatos em massa nas escolas passa por colocar mais armas nas salas de aula, a imagem de professores armados sem coração demonstra a loucura a que a falta de coração conduz.
Que podemos fazer? Encontre tempo. Você não pode criar uma família saudável sem lhe dar tempo e atenção.

Demasiado estresse destrói a alegria de vida e substitui a paz interior, que é o nosso verdadeiro estado de ser, por ansiedade, medo e violência. Encontre tempo para ser, não para planejar, revisar ou fazer. Apenas ser. É maravilhosa a maneira pela qual isso rapidamente inicia uma transformação pessoal no indivíduo e, então, como isso se reflete na maneira pela qual a pessoa trabalha e se relaciona com os outros. Famílias, negócios, hospitais, escolas tornam-se locais diferentes quando as pessoas que ali trabalham redescobrem seu coração.

Em face da crise os profetas hebreus chamavam as pessoas a trocar seus corações de pedra por corações de carne. Atualmente podemos contribuir para essa cura de nosso mundo ensinando uma prática contemplativa que nos ensina novamente como ser, como abrir nossos corações.

Instituições que se contradizem e pessoas feridas e que ferem precisam ser expostas a isso da maneira mais simples e inclusiva. Não se trata de propaganda religiosa, mas também não se trata de reduzir a pessoa humana a neurônios e sinapses. Trata-se de descobrir novamente a verdade universal de que nossa plena humanidade está sutilmente equilibrada naquele centro da consciência a que chamamos de coração. O resultado desse equilíbrio é uma vida melhor e mais plena.

É por isso que ensinamos a meditação, uma ascese saudável, uma disciplina libertadora. No início desta terceira semana a Quaresma deveria nos mostrar isso.

 


 

Texto original em inglês

Monday Lent week Three

There is a fair consensus today that something fundamental has gone wrong with the way we do things. The gap between rich and poor, how democracy works, how medicine is practiced, the goals of education, the use of technology and the media, corporate culture – and the role religion plays in society. The dysfunctionality in all these areas seems stronger than those who try to change things and so stress is at epidemic levels.

Something is missing. Let us call it ‘heart’. When the Mid-Staffordshire National Health Trust broke down some years ago it was meeting all its government-set targets. Unfortunately it was doing so at the cost of an unacceptable – the numbers are disputed - avoidable deaths. A US advisor was asked after the enquiry if he could identify one essential cause of this institutional disaster. He replied ‘a lack of love’.

The loss of heart in modern life has many consequences. Until we understand this we will continue to be overwhelmed by the feeling of helplessness and impending disaster. Many actually hope a general disaster will happen to allow everything start over again. Heart, however, does not mean only emotion. Racists lack heart but are driven by strong emotion. The financial markets are very emotional but often heartless.

‘Heart’ is a universal symbol of wholeness, justice and tenderness. If a politician speaks with integrity and tells the truth as he sees it, he exhibits this quality. The lack of heart in politics and in business today makes the rest of us feel hurt by this lack of heart. We are a heartsore generation. When the solution to mass school killings is to put more guns into schools the heartless image of armed teachers shows the lunacy that a lack of heart leads to.

What can we do? Take time. You cannot raise a healthy family without giving it time and attention. Too much stress destroys the joy of life and replaces inner peace, which is our true state of being, with anxiety, fear and violence. Take time to be, not to plan, review or do. Just to be. It is amazing how this quickly initiates a personal transformation in the individual and how this is then reflected in the way they work and relate to people. Families, businesses, hospitals, schools become different places when the people who work there rediscover their heart

Facing their crisis, the Hebrew prophets called on people to exchange their hearts of stone for hearts of flesh. Today we can contribute to this healing of our world through teaching a contemplative practice that teaches us again how to be, how to open our hearts.

Self-contradicting institutions and wounded and wounding people need to be exposed to this in the simplest and most inclusive of ways. It is not about religious propaganda but neither is it about reducing the human person to neurons and synapses. It is about finding again the universal truth that our full humanity is finely balanced in that centre of consciousness we call the heart. The result of this balance is a better, fuller life.

This is why we teach meditation - as a healthy ascesis, a liberating discipline. By the beginning of its third week, Lent should be showing us this.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.