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Quarta-feira da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Ontem eu mencionei a parábola da semente contada por Jesus. Na verdade existem várias parábolas onde ele usa a semente para transmitir os seus ensinamentos. Esta é uma:

"Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos." (Mt 13, 31-32)

A semente de mostarda é de fato uma das menores sementes no mundo; e quando eu vi pela primeira vez uma árvore de mostada, na Índia, eu fiquei assustado com o seu tamanho. Como Jesus vê o reino dos céus nisso, dado que ele claramente tinha visto e admirado em si mesmo? A simplicidade da sua linguagem, assim como do seu ensinamento, reflete esta experiência do que depois seria chamado de "contemplação da natureza" - a capacidade de ler um livro do mundo natural em profundidade simbólica ao invés de apenas rapidamente olhar sem atenção, literalmente como nós normalmente fazemos.

Ele está olhando para o mundo natural mas também para a intervenção humana nele. "Um homem pegou e plantou" a semente no seu próprio campo, ou seja, na sua vida e no seu ser. O ato de pegar e o ato de plantar mudam a natureza sem causar danos a ela. Ele não está explorando a natureza de forma ofensiva, mas sim respeitando as forças da natureza no seu trabalho de cultivação.

Nossa prática espiritual também deveria respeitar o processo natural e as condições nas quais a praticamos. O que talvez seja adequado a uma pessoa pode ser prejudicial para outra se aplicado de uma forma desatenta. Qualquer pessoa pode meditar, mas alguém que sofre de uma doença mental, por exemplo, pode precisar de uma adaptação à disciplina. As crianças podem meditar mas por menos tempo e com menos ênfase na disciplina diária (apesar de que algumas crianças de fato escolhem meditar diariamente). São Paulo disse que nós "desenvolvemos" a nossa salvação. O Buda continuou a praticar meditação mesmo depois da sua iluminação. A igreja, mesmo com suas falhas históricas, estende a vida de Cristo "até o fim dos tempos". Pegar e plantar a semente sugere uma prática que começa pequena mas continua infinitamente. Apesar de ser um processo natural, não é, em nenhum estágio, um processo passivo.

O crescimento acontece quando as condições são corretas: se o desenvolvimento da semente for corretamente observado. O foco da parábola não é dar um zoom nas minúcias do processo, ou observar o que está acontecendo a cada momento. De forma similar, quando nós meditamos, não é útil avaliar e medir cada período de meditação. Se fizermos isso, vamos começar a pensar em meditações boas e ruins e vamos tornar o processo, a perseverança, muito mais difícil para nós mesmos. Ao invés disso, permita-se enxergar um contexto maior no qual a semente da sua prática (a semente do seu mantra, sua "pequena palavra") está crescendo. Conforme ela cresce ela também expande a sua visão de mundo, o seu universo. Nossa própria maneira de julgar é transformada por este crescimento; e então apegar-se à forma antiga, limitada, estreita e auto-centrada, cria uma resistência ao próprio crescimento que almejamos.

Nós crescemos além do isolacionismo, além dos objetivos pessoais e desejos. Nós crescemos na inter-dependência, na realidade. A semente torna-se uma árvore que não está competindo com outras árvores mas é hospitaleira com os pássaros que chegam e se aninham nos seus galhos. A árvore se tornou, assim como nós esperamos nos tornar quando crescermos, fortemente enraizada, multi-dimensional e integralmente centrada no outro.

 


 

Texto original em inglês

Wednesday Lent Week Three

Yesterday I mentioned the seed parable of Jesus. Actually there are several parables where he uses the seed to convey his teaching. This is one:

He told them another parable: “The kingdom of heaven is like a mustard seed, which a man took and planted in his field. Though it is the smallest of all seeds, yet when it grows, it is the largest of garden plants and becomes a tree, so that the birds come and perch in its branches.” (Mt 13: 31-32)

The mustard seed is in fact one of the smallest seeds in the world; and when I first saw a full-grown mustard tree, in India, I was astonished how massive it was. How does Jesus see the kingdom of heaven in this, that he had obviously seen and wondered at himself? The simplicity of his language, as of his teaching, reflects this experience of what was later called the ‘contemplation  of nature’ – the facility to read the book of the natural world in symbolic depth rather than just skimming over it unobservantly, literally as we usually do.

It is the natural world he is looking at but also the human intervention in it. ‘A man took and planted’ the seed in his own field, that is in his life and being. The act of taking and the act of planting change nature without harming it. He is not crudely exploiting but respecting the forces of nature in his work of cultivation.

Our spiritual practice should also respect the natural process and the conditions in which we practice. What may suit one person may be harmful to another if applied in an unobservant way. Anyone can meditate; but someone suffering mental illness, for example, may need to adapt the discipline. Children can meditate but for less time and with less emphasis on the daily discipline (although many children do choose meditate daily). St Paul said we ‘work out’ our salvation. The Buddha continued to practice meditation even after his enlightenment. The church, for all its historical faults, extends the life of Christ ‘until the end of time’. Taking and planting the seed suggests a practice that starts small but continues indefinitely. Although this is a natural process, it is not, at any stage, a passive one.

Growth happens when the conditions are right: if the developing seed is properly cared for. The focus of the parable is not to zoom in on the minutiae of the process, to observe what is happening moment by moment. Similarly, when we meditate it is not helpful to evaluate and measure each meditation period. If we do so we will fall into thinking of good and bad meditations and we will make the process, the perseverance, much more difficult for ourselves. Instead, allow yourself to see the larger picture in which the seed of your practice (the seed of your mantra, your ‘little word’)  is growing. As it grows it also expands the world view you are living with, your universe. Our very way of judging is changed by this growth; and so to cling to the old way, limited, narrow and self-referring, sets up a resistance to the very growth we want to go with.

We grow beyond isolationism, beyond private goals and desires. We grow into inter-dependence, into reality. The seed becomes a tree that is not competing with other trees but offers hospitality to the birds to come and rest and nest on its many branches. The tree has become, as we hope we may become when we grow up, strongly rooted, multi-dimensional and wholly other-centred.

 

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração "Maranatha". Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.