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Sábado da Terceira Semana da Quaresma

D. Laurence Freeman

Fazer um balanço das nossas prioridades nunca é perda de tempo. Mas por onde começamos? De baixo para cima, do solo em que o edifício da nossa vida é construído, e a partir do coração do qual nasce todo crescimento: os relacionamentos.

Os relacionamentos são o solo sagrado da vida humana. Temos que tirar nossos sapatos quando voltamos nossa atenção a eles: ser simples, humildes e verdadeiros. Estamos alimentando relacionamentos felizes e sustentáveis, as amizades e intimidades com as quais podemos ser abençoados? Ou os consideramos como certezas e perdemos contato com sua vida interior? Para ser realista, se não temos os relacionamentos que queremos ou de que precisamos, ou se prejudicamos nossos relacionamentos — alguns em crise ou outros respirando por aparelhos —, deveríamos ver que estes também são sagrados. Só porque estão sofrendo, isso não significa que não são sagrados. Eles precisam de atenção. Nós nos afastamos, estamos fugindo, estamos culpando o outro em vez de perdoar? Assim como as plantas, os relacionamentos levam tempo, passam por estações para morrer e, de uma forma ou de outra, ser restaurados.

Não há relacionamento na vida que não esteja plantado na realidade absoluta. A esta nós chamamos de Deus. Não é uma realidade matemática ou filosófica, mas pessoal. Ser a pessoa que somos e nos relacionarmos com os outros depende de uma descoberta da natureza pessoal da realidade. Sem um relacionamento com o Deus vivo (quer ele tenha um nome, quer não), temos apenas sonhos, lembranças e reflexões.

É por isso que qualquer balanço de vida que se preze envolve uma avaliação da nossa vida espiritual. Aqui, os relacionamentos com os outros em Deus, que é nosso solo comum, convergem com nosso autoconhecimento e auto aceitação. Como seria conveniente para o ego se pudéssemos compartimentalizá-los sem a dolorosa consciência de que estávamos sendo falsos para com todos eles.

A vida espiritual é nutrida por momentos de prática, pensamento e estudo feitos com nossos melhores esforços, trabalho abnegado e partilha da nossa jornada com os outros através de apoio e ensinamentos. Recebemos ao dar e às vezes damos ao receber. Para o meditante, a prática de se sentar em silêncio é a chave, a prova dos nove que nos mostra onde estamos de fato: vendo a vida como uma jornada espiritual ou vendo a “espiritualidade” como um mero elemento na nossa própria mistura, uma coisa para a qual precisamos encontrar tempo e a primeira que abandonamos quando estamos muito ocupados.

Então o balanço de vida ilumina os valores reais que formam o significado da vida: isto é a coisa mais importante. Estamos celebrando o que deveríamos celebrar, de luto pelo que precisa ser chorado, compartilhando tudo o que podemos? Se sim, seremos tocados pela paz que supera todo entendimento, pelo poder que nos conduz por entre as muitas mortes da vida e a Esperança divinamente boba que dispersa todo o medo e auto negação. Isso é mais que o necessário para nos fazer passar pela crise do corona.

Estamos preparando um programa que vocês podem achar útil. Visitem nosso site internacional (www.wccm.org) e seu site nacional (www.wccm.org.br). Aqui, por exemplo, todas as mídias audiovisuais estão reunidas num único lugar: http://www.wccm.org/media-page/.

 


 

Texto original em inglês

Saturday Lent Week Three

Taking stock of our priorities is never a waste of time. But where do we start? From the bottom up, the ground on which the house of life is built, and from the heart from which all growth comes: relationship.

Relationships are the sacred ground of human life. We have to take off our shoes when we turn our attention to them: to be simple, humble and truthful. Are we nurturing the happy, sustaining relationships, the friendships and intimacies we may be blessed with? Or do we take them for granted and lose touch with their inner life? And, to be realistic, if we don’t have the relationships we want and need, or if we have damaged relationships, some in crisis or on life-support, we should see that these too are sacred Just because they are suffering doesn’t mean they are not sacred. They need attention. Have we withdrawn, are we running away, are we blaming rather than forgiving? Like plants, relationships take time, pass through seasons in order to die and, somehow or other, be restored.

There is no relationship in life that is not rooted in absolute reality. We call this God. It is not mathematical, or philosophical but personal. Being the person we are and relating to others, depends upon insight into the personal nature of reality. Without a living relationship with the living God (named or unnamed) we have only dreams, memories and reflections.

Which is why any proper life-inventory involves an assessment of our spiritual life. Here, relationships with others, in God who is the common ground, converge with our self-knowledge and self-acceptance. How convenient for the ego if we could compartmentalise these without the painful awareness that we were being false to all of them.

Spiritual life is nourished by times of practice, thinking or studying as we can best, selfless work, and sharing the journey with others by exchanging support and teaching. We receive by giving and sometimes we give by receiving. For the meditator, the practice of sitting in silence is the key, the litmus test, that shows us where we really are: seeing life as a spiritual journey or seeing ‘spirituality’ merely as an element in the mix on our terms, something to find time for and the first thing to drop when we get too busy.

And so a life inventory highlights the actual values that make up life’s meaning: this is the most important thing. Are we celebrating what we should celebrate, grieving what needs to be mourned for, sharing everything that we can? If so we will be touched by the peace that passes all understanding, the power that leads us through the many deaths of life and the divinely foolish Hope that dispels fear and self-negation. This is more than enough to get us through the Corona crisis.

We are preparing a programme you might find helpful. Visit our international website (www.wccm.org) and your national website. Here, for example, all audio-visual media are collected in one place: http://www.wccm.org/media-page/ .